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Por Victoria Bryan e Byron Kaye
SIDNEY, 4 Jun (Reuters) – Empresas aéreas globais cortaram
nesta segunda-feira suas projeções para os lucros da indústria
em 2018 devido ao aumento nos custos com combustível, enquanto
alertaram que taxas de juros mais altas e tensões geopolíticas
somam-se aos riscos operacionais.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na
sigla em inglês), que representa cerca de 280 empresas, disse
que o setor deve registrar lucro de 33,8 bilhões de dólares este
ano, 12 por cento inferior à projeção anterior, de 38,4 bilhões
de dólares.
No entanto, os yields de passageiros, dado de aproximação de
tarifas aéreas, deve subir 3,2 por cento este ano, o primeiro
ganho anual desde 2011 com uma economia global mais forte
guiando o crescimento na demanda, disse a Iata.
"É certamente verdade dizer que 2018 é um ano mais difícil,
mas as empresas aéreas estão fazendo um bom trabalho", disse a
repórteres o diretor geral da Iata, Alexandre de Juniac, na
reunião anual da associação, acrescentando que a maior parte da
queda no lucro é decorrente de preços mais altos do petróleo.
A Iata espera um preço médio do petróleo de 70 dólares o
barril este ano, acima dos 54,90 dólares no ano passado e
superior também à projeção anterior, de 60 dólares.
A projeção menos positiva para os lucros é uma queda ante o
recorde de 38 bilhões de dólares em 2017, mas comparações com
esse número são distorcidas por itens contábeis especiais como
créditos fiscais não recorrentes que impulsionaram lucros
anuais, disse o grupo.
Os lucros anuais poderiam cobrir o alto custo de capital
pelo quarto ano, atraindo investimento para novas frotas e
infraestrutura. No entanto, a Iata alertou que as empresas
aéreas ainda estavam operando no limite frente a muitos setores.
De Juniac disse que a projeção de lucro para este ano
representa 4,1 por cento das vendas de cerca de 750 bilhões de
dólares.
"Quatro por cento não é um número grande. Ainda é uma
indústria frágil. Nossa capacidade de resistir a grandes choques
é limitada", disse à Reuters em uma entrevista separada.

DESAFIOS POLÍTICOS
De Juniac alertou que as empresas aéreas podem ser atingidas
pelos efeitos de "forças políticas pressionando uma agenda
protecionista", sem especificar com quais forças políticas ele
estava mais preocupado.
"Nós não temos enfrentando queda significativa em números de
passageiros ou carga relacionada a guerras comerciais ou
barreiras protecionistas até o momento, mas se continuar isso
vai acontecer", disse De Juniac a repórteres.
A Iata pediu que governos impulsionem gastos com
infraestrutura para atingir a demanda, mas acrescentou que
privatização de aeroportos provou-se ineficiente.
(Reportagem adicional de Jamie Freed e Tim Hepher)
((Tradução Redação São Paulo, 5511 5644-7727))
REUTERS FB GM

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