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SÃO PAULO, 10 Mai (Reuters) – O difícil trabalho de dividir
três segmentos de negócios da Embraer <EMBR3.SA está atrasando
um acordo para combinar operações da fabricante brasileira de
aviões com a norte-americana Boeing , disseram três
pessoas com conhecimento do assunto.
A decisão de separar a unidade de jatos comerciais da
Embraer, vender seu controle e dividir o portfólio de jatos
executivos, ajudou a ganhar apoio do governo brasileiro para uma
operação entre as duas empresas, mas criou outras dores de
cabeça, segundo as fontes.
Os negociadores estão agora analisando detalhes dos
contratos de serviço de longo prazo entre as empresas e como
distribuir os milhares de engenheiros da Embraer, muitos dos
quais migraram entre projetos militares e civis durante a
carreira.
Representantes da Boeing e da Embraer não responderam
imediatamente a pedido de comentários sobre o assunto.
As empresas anunciaram no mês passado que estavam em
negociações para criar uma nova companhia focada em aviação
comercial, o que excluiria a divisão de produtos militares da
Embraer e "potencialmente" sua unidade de jatos executivos. Isso
ajudou a superar as preocupações do governo sobre o controle
soberano dos programas militares da Embraer. O governo tem poder
de veto sobre decisões estratégicas da empresa.
"Estou bastante otimista", disse nesta semana o ministro da
Defesa, Joaquim Silva e Luna, responsável pela força-tarefa que
supervisiona as negociações, quando questionado sobre a
negociação. "Está em estágios avançados e deve ser resolvido
este ano."
A proposta original da Boeing, uma aquisição direta da
Embraer, poderia já estar concluída e tem se mostrado mais
desafiador fazer uma oferta que exclua a área de defesa da
fabricante brasileira de um eventual acordo, disseram fontes.
Os jatos de 70 a 130 assentos da Embraer, que competem com o
programa C-Series projetado pela canadense Bombardier, respondem
por cerca de 60 por cento da receita da Embraer e por quase todo
o lucro operacional da fabricante brasileira.
A divisão de defesa da Embraer mal obteve lucro nos últimos
anos, uma vez que o governo brasileiro cortou gastos militares
em um esforço para fechar déficit orçamentário.
A Embraer também vem perdendo dinheiro com uma nova linha de
jatos executivos, já que esse mercado continua estagnado.
As empresas ainda não chegaram a uma decisão final sobre a
inclusão da unidade junto com a divisão de jatos comerciais em
uma nova empresa, na qual a Boeing teria cerca de 80 por cento
de participação, segundo duas fontes.
(Reportagem de Tatiana Bautzer e Brad Haynes, com reportagem
adicional de Tim Hepher em Paris)
((Edição Redação São Paulo; + 55 11 5644-7712))
REUTERS AAP AAJ


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