Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por José Roberto Gomes e Ana Mano
SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) – Bancos e investidores
envolvidos na recuperação judicial da Abengoa Bioenergia Brasil
esperam receber seus créditos por meio de uma potencial venda
das duas usinas da companhia no interior de São Paulo, disseram
à Reuters duas fonte próxima ao processo.
Existem quatro "non-disclosure agreements" (acordos de
confidencialidade) assinados com potenciais compradores das
usinas, disse uma das fontes, que pediu anonimato. Dois dos
interessados já atuam no setor sucroalcooleiro, enquanto os
outros dois são fundos de investimento.
Embora ainda não exista nenhuma proposta vinculante,
espera-se poder chegar a um acordo antes do início da próxima
safra de cana, em abril, segundo uma das fontes.
"A ideia é aprovar o plano de recuperação no primeiro
semestre", disse essa fonte.
A BP Biocombustíveis seria um quinta interessado nos ativos,
segundo a outra fonte. As tratativas entre a divisão
sucroenergética do conglomerado espanhol e a petroleira
britânica , porém, são iniciais, segundo essa fonte.
De acordo com análise da Crowe Horwath International, que
integra o plano de recuperação judicial da Abengoa Bioenergia, a
venda das duas usinas tem como "fator crítico… a capacidade
financeira que o proponente deve possuir para propiciar a
reestruturação integral da dívida", mas é o cenário com maior
possibilidade para recuperação dos créditos.
Em caso de venda apenas da Usina São Luiz, em Pirassununga,
a recuperação seria de 36 por cento, ou cerca de 400 milhões de
reais. Já um negócio envolvendo somente a Usina São João, em São
João da Boa Vista, recuperaria 30 por cento (335 milhões de
reais).
"Os ativos são bons, e a Abengoa quer muito passá-los para
frente", disse a segunda fonte.
"O plano deles (Abengoa Bioenergia) prevê a possibilidade de
o comprador negociar diretamente o pagamento do passivo",
acrescentou. A dívida do grupo sucroenergético, que tem entre
seus principais credores Amerra Capital, Banco do Brasil,
Bradesco, Banco Original e Santander, é da ordem de 1 bilhão de
reais, segundo o plano de recuperação.
A Abengoa chegou ao setor sucroenergético brasileiro em 2007
ao adquirir o controle da Dedini Agro por 1,3 bilhão de reais e
assumir 730 milhões de reais em dívidas. Suas duas usinas em São
Paulo têm capacidade instalada para moer cerca de 6 milhões de
toneladas de cana por safra.
Em dificuldades já há alguns anos, com a crise do setor no
Brasil, a recessão econômica no país e os próprios problemas da
matriz na Espanha, a empresa entrou com pedido de recuperação
judicial em setembro do ano passado.
Em dezembro, a Abengoa Bioenergia apresentou um plano de
recuperação que prevê a venda de seus ativos e o pagamento,
inicialmente, de todos os credores trabalhistas. Na sequência
aparecem as pequenas e médias empresas, no valor de 7,8 mil
reais para cada credor, seguidas de credores sem garantia real,
créditos fiscais e retenção de 80 milhões de reais para despesas
com o processo de recuperação judicial.
A potencial venda dos ativos da Abengoa Bioenergia pode
ocorrer em um momento de perspectivas mais favoráveis para o
setor sucroenergético do Brasil, depois da sanção da Política
Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) pelo presidente Michel
Temer no fim do ano passado.
Pelas estimativas do governo, o RenovaBio pode gerar
investimentos de 1,4 trilhão de reais e economia de 300 bilhões
de litros em gasolina e diesel importados até 2030 –os
derivados de petróleo seriam substituídos pelo combustível
renovável produzido localmente.
Procuradas, a Abengoa disse que não comentaria o assunto,
enquanto a BP Biocombustíveis não respondeu até o momento.
Santander e Bradesco não comentaram. Amerra Capital, Banco
do Brasil e Banco Original não responderam de imediato.

(Edição de Maria Pia Palermo)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Assuntos desta notícia