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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) – A chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) mantém forte apetite por negócios em energia no Brasil e deve avaliar novas oportunidades de compras de ativos locais mesmo após ter pago 7,18 bilhões de reais pela concessão de uma hidrelétrica em um leilão do governo em setembro passado, disse à Reuters a diretora-geral da empresa no país.

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A estatal, uma das cinco maiores geradoras da China, soma-se a outras gigantes orientais que têm investido fortemente no setor elétrico brasileiro, como a State Grid e a China Three Gorges, em uma estratégia de Pequim que visa ampliar a presença internacional de suas empresas, mas também abrir mercados para a venda de serviços de engenharia e equipamentos.

A SPIC opera em 41 países no mundo, com cerca de 120 gigawatts em usinas de geração, o que representa uma capacidade superior ao parque de hidrelétricas do Brasil.

O Brasil entrou para essa lista no começo de 2017, quando a SPIC concluiu a aquisição da operação local da australiana Pacific Hydro com o objetivo de ter uma plataforma com a qual pudesse começar de imediato os investimentos no país.

"O grupo SPIC quer crescer em 30 gigawatts até 2020, e o Brasil é uma das prioridades geográficas deles. Cabe a nós demonstrar as oportunidades", afirmou a diretora-geral da SPIC Pacific Hydro, Adriana Waltrick, em entrevista à Reuters.

Ela adicionou que o interesse da companhia é focado em grandes hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares.

A empresa já conta com 58 megawatts em parques eólicos na Paraíba, que compunham o portfólio da Pacific Hydro, e com a hidrelétrica de São Simão, de 1,71 gigawatt em capacidade, comprada em seguida após o vencimento da concessão da Cemig .

A expansão poderá acontecer com novas aquisições ou com a inscrição de projetos em leilões do governo para viabilizar novas usinas.

Segundo Adriana, a empresa tem 280 megawatts em parques eólicos que podem ser inscritos nessas licitações. Uma possibilidade seria já participar de um leilão previsto para agosto, com entrega das usinas prevista para 2024, o chamado "A-6".

A empresa também é vista como potencialmente interessada na hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, onde os principais acionistas, Odebrecht e Cemig, têm buscado vender suas participações.

Questionada sobre o ativo, a executiva disse que não comenta oportunidades específicas, mas que usinas hídricas de grande porte são um dos focos da companhia.

Um exemplo disso foi a própria compra bilionária da usina de São Simão, paga à vista. A SPIC aportou 30 por cento do valor envolvido no negócio, enquanto 70 por cento foram financiados junto a um pool de bancos internacionais, incluindo chineses.

A companhia assumiu a gestão do empreendimento na semana passada, após seis meses de operação assistida junto à antiga concessionária Cemig.

"A transição foi muito tranquila, está superada. Então estamos logo desde já sempre olhando as oportunidades", disse Adriana.

SÃO SIMÃO

A SPIC Pacific Hydro está trabalhando atualmente em estudos sobre um possível investimento na modernização da usina de São Simão, entre Minas Gerais e Goiás. O empreendimento está em operação desde 1978 e a empresa terá a concessão por um novo período de 30 anos.

"É uma usina de 40 anos e tem uma série de investimentos em modernização e ganhos de eficiência, repotenciação, que a gente analisa com interesse… em 60 dias o plano de modernização da usina estará pronto, estamos trabalhando com fornecedores", afirmou Adriana, sem citar valores.

Ela também disse que a empresa criou uma comercializadora de eletricidade, a SPIC Brasil, para negociar 30 por cento da geração da usina no mercado livre de energia.

O restante da produção do empreendimento foi negociado com as distribuidoras de energia por 30 anos.
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