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Por Cate Cadell e Pei Li
PEQUIM, 16 Mai (Reuters) – A maior companhia de transporte
urbano por aplicativo da China, Didi Chuxing, controladora da
brasileira 99, vai desativar recursos como fotos de perfil e
classificações de usuários, em uma estratégia para reconquistar
confiança depois que o assassinato de uma passageira disparou
questionamentos sobre a segurança do serviço.
O assassinato da comissária de bordo de 21 anos,
supostamente cometido pelo motorista que a conduzia, e
revelações de que os motoristas da Didi estavam classificando os
passageiros com base em sua aparência, atingiu a imagem da
companhia em um momento em que a empresa está se preparando para
enfrentar rivais no exterior.
Em uma tentativa de melhorar a situação, a Didi pediu
desculpas pela "tragédia" e suspendeu o serviço por uma semana.
A companhia também afirmou nesta quarta-feira que vai
temporariamente oferecer o serviço "Didi Hitch" entre 6 da manhã
e 10 da noite, em vez de 24 horas sete dias por semana, e fazer
checagens de reconhecimento facial diárias obrigatórias para
todos os motoristas.
A companhia também propôs fazer uma gravação de áudio de
todas as viagens como medida extra de segurança.
A Didi reconheceu anteriormente que a ferramenta de
reconhecimento facial de seu serviço era defeituosa. O motorista
que supostamente matou a comissária pode usar uma conta de
motorista da Didi que pertencia a seu pai e não foi detectado
pelo sistema.

REDE SOCIAL?
Após o assassinato, a Didi passou a ser fortemente
criticada, com muitas pessoas reclamando que a companhia
promoveu esforços para vender o serviço Hitch como uma rede
social.
Propagandas do Hitch começaram em 2015 em páginas da Didi em
redes sociais, que apresentavam o serviço como uma forma de se
encontrar pessoas, incluindo encontros amorosos. O Hitch permite
que os usuários chamem um carro pelo celular e compartilhem a
viagem com alguém que vai para a mesma direção.
Um dos anúncios do serviço mostrava um motorista segurando
uma placa onde se lia "você usa uma saia curta, eu tenho ar
quente… dê a ela uma carona, eu quero!"
Um motorista em Xangai que já dirigiu para o Didi Hitch,
Silla Wang, afirmou que ele já viu motoristas classificando
passageiros com termos como "pernas longas", "garota adorável"
ou "mulher bonita".
"No meu entendimento, o aplicativo é usado como se fosse o
Momo", disse Silla, referindo-se ao aplicativo chinês de
encontros semelhante ao Tinder.
Xu Yanan, uma estudante na Universidade de Tsinghua, afirmou
que desde o assassinato da comissária passou a usar como foto no
aplicativo a imagem de um soldado.
"Eu quero me proteger. Depois da tragédia eu estou
assustada."
Desde que comprou os negócios da norte-americana Uber na
China, a Didi controla 90 por cento do mercado de aplicativos de
transporte urbano, o que dá aos usuários poucas opções de
serviço. A empresa afirma que sua plataforma registra cerca de
25 milhões de corridas diárias.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
REUTERS AAJ FB

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