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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 7 Jun (Reuters) – O Ibovespa, principal índice de
ações da B3, desabou nesta quinta-feira, renovando mínima no
ano, com movimentos de 'stop loss' elevando o giro financeiro e
acentuando perdas em um pregão já negativo por apreensões com o
nebuloso cenário político-eleitoral no país.
No fechamento, o Ibovespa caiu 2,98 por cento, a
73.851 pontos, menor patamar de fechamento desde 20 de dezembro
do ano passado. No pior momento, despencou 6,5 por cento, a
71.161 pontos, mínima intradia desde 16 de novembro de 2017.
A recuperação de alguns papéis, reflexo do tradicional
movimento de busca por barganhas, ajudou a afastar o índice das
mínimas. Ainda assim, apenas três das 67 ações da carteira do
Ibovespa terminaram o dia em alta, com os papéis das blue chips
respondendo pelo principal peso negativo.
O volume financeiro no pregão alcançou 20,4 bilhões de
reais, muito acima da média diária de 2018 (11,8 bilhões de
reais) e de junho (14,2 bilhões de reais).
Após desabar quase 11 por cento em maio, o Ibovespa já
contabiliza um declínio ao redor de 3,8 por cento nestes
primeiros dias de junho.
De acordo com o estrategista Carlos Sequeira, do BTG
Pactual, há uma piora na situação de alguns mercados emergentes,
bem como preocupações com aumento de inflação e juros nos
Estados Unidos, o que tem minado o sentimento dos investidores,
enquanto a situação no Brasil é amplificada principalmente pela
questão político-eleitoral.
"A crise do combustível na esteira da greve dos
caminhoneiros só aumentou a preocupação com cenário
político-eleitoral", afirmou.
Ele acrescentou que ainda há muita incerteza em relação ao
desfecho das eleições, mas que traz algum desconforto ao mercado
candidatos sem sinalização clara sobre suas propostas ou
alinhados mais à esquerda despontando nas pesquisas, enquanto
nomes considerados mais pró-reformas não têm conseguindo
crescer.
Apreensões com a intervenção do governo na economia também
têm deixado investidores receosos, principalmente após o governo
adotar medidas como o tabelamento do frete e congelamento do
preço do diesel para encerrar a greve de caminhoneiros que durou
cerca de dez dias.
"Uma maior interferência do governo (qualquer governo) na
livre atuação da economia não será bem vista pelos investidores
em ativos no Brasil", destacou um gestor de uma administradora
de recursos do Rio de Janeiro.
Operadores disseram que o recuo mais forte na sessão
desencadeou ordens de 'stop loss' (execução de ordens de venda
para evitar perdas maiores), ampliando ainda mais o movimento de
queda, o que fez o Ibovespa ir abaixo de 72 mil pontos. "Depois
voltou um pouco", disse um desses operadores.
A equipe de estratégia e análise da XP Investimentos
destacou que tem visão de bolsa estruturalmente benigna para os
próximos anos, passando por um cenário eleitoral de
centro-direita, mas no curto prazo, mantém visão mais cautelosa,
dada a atividade mais fraca que o esperado e a cena eleitoral.
"Somente esperamos uma potencial melhora do sentimento por
volta de agosto/setembro, à medida que teremos mais clareza em
relação ao ritmo de crescimento do país passado os efeitos da
greve, ao mesmo tempo que as alianças no campo político devem
começar a ficar mais claras", afirmou a XP.
No exterior, o índice MSCI de mercados emergentes
fechou quase estável. O fundo de índice de ações IShares MSCI
Brazil , negociado nos Estados Unidos, cedeu 5,1 por
cento.

DESTAQUES
– VALE encerrou com queda de 3,03 por cento,
apesar do efeito benigno em sua receita do fortalecimento do
dólar e da alta do minério de ferro à vista na China
. A queda ocorreu após a ação acumular alta de
quase 11 por cento no mês até o pregão da véspera.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

– PETROBRAS PN fechou em baixa de 3,49 por cento
e PETROBRAS ON recuou 1,82 por cento, apesar da alta
dos preços do petróleo no exterior, conforme
investidores seguem questionando a autonomia da petrolífera de
controle estatal.

– ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,91 por cento e BRADESCO
PN cedeu 1,77 por cento, com bancos afetados pela
maior aversão a ações brasileiras. SANTANDER BRASIL UNIT
e BANCO DO BRASIL tiveram perdas ainda
mais acentuadas, de 5,41 e 4,01 por cento, respectivamente. No
caso de Santander Brasil, o JPMorgan cortou a recomendação para
'neutra'.

– GOL PN perdeu 6,48 por cento, em meio à
disparada do dólar ante o real, que afeta os custos de
companhias aéreas. A alta do petróleo era mais um componente
desfavorável. A sua controlada SMILES despencou 12,06
por cento.

– VIA VAREJO UNIT perdeu 9,13 por cento, com o
setor de varejo ainda minado pelas perspectivas de uma retomada
mais lenta da atividade econômica e por dados de emprego ainda
ruins, com efeito no consumo. MAGAZINE LUIZA fechou
em baixa de 6,94 por cento.

– LOJAS RENNER fechou em queda de 0,45 por cento,
mas longe das mínimas da sessão, quando caiu quase 12 por cento,
a 25,55 reais, menor preço intradia desde maio de 2017, sendo um
dos exemplos da busca por barganhas. CVC BRASIL
encerrou com queda de 3,62 por cento, também mostrando forte
recuperação, após desabar 17,45 por cento no pior momento.

– EMBRAER subiu 1,94 por cento, uma das poucas
altas do Ibovespa, encontrando suporte na disparada do dólar
ante o real , que tem efeito positivo nas receitas da
fabricante de aviões.

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(Edição de Gabriela Mello)
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