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SÃO PAULO, 7 Dez (Reuters) – A empresa de alimentos JBS
mantém como prioridade os planos de listar em bolsa
de Nova York a sua subsidiária norte-americana, como parte do
planejamento para reduzir seu custo de capital, disse nesta
quinta-feira um executivo do grupo.
"O IPO ainda é prioridade, não tiramos do radar", disse sem
dar prazos o executivo chefe de operações da JBS, Gilberto
Tomazoni, durante apresentação a analistas e investidores, nas
sede da companhia.
Em outubro, a JBS cancelou a oferta inicial de ações (IPO)
nos Estados Unidos de sua subsidiária JBS Foods International
BV, na esteira dos desdobramentos da revelação de um esquema de
corrupção envolvendo executivos do grupo e pagamento de propina
a políticos, que implicou o presidente Michel Temer. Uma das
consequências foi a prisão dos controladores da empresa, os
irmãos Wesley e Joesley Batista, sob acusação de uso indevido de
informações privilegiadas em transações com ações e dólares no
mercado financeiro.
Para Tomazoni, o custo de capital da empresa ainda não
reflete sua estrutura global geograficamente diversificada.
"Hoje, só 24 por cento dos nossos negócios estão no Brasil",
argumentou.
Segundo Tomazoni, o processo recente de desalavancagem
financeira do conglomerado deve continuar nos próximos
trimestres, fruto da geração de caixa e dos recursos de vendas
de ativos. A J&F, controladora da JBS, se desfez de ativos como
Eldorado Celulose e Alpargatas. A relação dívida líquida sobre
lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização
(Ebitda) do grupo caiu de 4,16 vezes no segundo trimestre para
3,42 vezes no terceiro trimestre.
As negociações para venda da JBS Five Rivers Cattle Feeding
LLC, último dos grandes ativos da JBS que devem ser alienados,
estão perto de serem concluídas, disse Tomazoni.
Para o executivo, o ambiente operacional favorável, com
recuperação da economia brasileira e de preços nos mercados
internacionais tende a favorecer a geração de caixa da
companhia.
No Brasil, a divisão de aves e alimentos processados Seara
está elevando o preço médio, com a venda maior de produtos mais
caros. A empresa também tem ampliado volumes e exportações para
destinos como o Oriente Médio, diante de um cenário mais
propício para recuperação de margens, disse ele.

PAGAMENTO DE FORNECEDORES
Na divisão de bovinos, a JBS ainda não recuperou totalmente
o nível das operações que tinha no começo do ano no Brasil,
quando o ritmo foi afetado pela deflagração da operação Carne
Fraca da Polícia Federal, que apurou um esquema de propina
envolvendo funcionários da vigilância sanitária.
"Estamos recuperando market share", disse Tomazoni, sem dar
mais detalhes. "Não fechamos nenhuma fábrica neste ano, nem no
Brasil nem no exterior, e acho que vamos normalizar o ritmo
operacional em 2018".
No início do ano, o mercado estimava a compra pela JBS de 30
mil cabeças de gado por dia para abate. Pelas estimativas mais
recentes, esse número está em cerca de 26 mil cabeças.
A empresa segue praticando a política de pagar os
fornecedores de gado em 30 dias, afirmou Tomazoni, explicando
que a companhia tem buscado o mercado financeiro para conseguir
reduzir esse prazo em casos pontuais para pagamento até à vista.

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(Por Aluísio Alves; Edição de Raquel Stenzel)
(([email protected]; +55 11 56447719; Reuters
Messaging: [email protected]))


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