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(Texto atualizado com mais informações)
BRUXELAS/SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) – A União Europeia
decidiu nesta quinta-feira proibir as importações de produtos de
carne, principalmente aves, de 20 fábricas brasileiras que eram
autorizadas a exportar para o bloco europeu, em um desdobramento
do escândalo gerado pela segunda fase da operação Carne Fraca,
que teve a BRF como um dos alvos.
A proibição ocorreu diante de "deficiências detectadas no
sistema de controle brasileiro oficial", disse a Comissão. A
decisão entra em vigor 15 dias após sua publicação no diário
oficial da União Europeia.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse a jornalistas
que a medida afeta entre 30 e 35 por cento das exportações do
Brasil para a Europa.
De acordo com esboço da decisão da UE obtido pela Reuters, a
medida do bloco europeu atinge 12 unidades da BRF ,
que é dona das marcas Sadia e Perdigão e é a maior exportadora
de carne de frango do mundo.
As fábricas da BRF citadas na lista da UE estão nos Estados
do Paraná (nas cidades de Toledo, Ponta Grossa e Francisco
Beltrão), Santa Catarina (em Concórdia, Chapecó e Capinzal),
Mato Grosso (Dourados e Nova Mutum), Goiás (Rio Verde) e Rio
Grande do Sul (Serafina Corrêa, Marau, Várzea Grande). Somente
Paraná e Santa Catarina respondem por 60 por cento do volume
exportado de frango do Brasil para o mundo.
Procurada, a BRF não se manifestou sobre o assunto. As ações
da empresa fecharam o dia com maior alta do Ibovespa ,
avanço de 4,9 por cento, em meio ao otimismo gerado pelo anúncio
na véspera de que o presidente da Petrobras , Pedro
Parente, aceitou ser indicado para a chefia do conselho de
administração da BRF, no lugar do empresário Abilio Diniz.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) considerou
"infundada a decisão tomada pelos Estados europeus, como uma
medida protecionista que não se ampara em riscos sanitários ou
de saúde pública". A entidade afirmou ainda que a decisão
europeia é "desproporcional e inconsistente diante das regras
estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e
Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC)".
A BRF tem atualmente 35 unidades produtivas no país, sendo
que nem todas exportam para a União Europeia. Em 2017, a
companhia vendeu um total de 362 mil toneladas de produtos na
região Europa/Eurásia. Apenas em aves in natura, as vendas
somaram 68 mil toneladas.
Além da BRF, também foram descredenciadas pela UE as
cooperativas Copacol, Copagril, Coopavel e LAR e a Avenorte
Avícola Cianorte, no Paraná; a Zanchetta Alimentos, em São
Paulo; a São Salvador Alimentos, em Goiás; e Bello Alimentos, em
Mato Grosso do Sul.
"Estávamos aguardando a definição deles para ver quantos
estabelecimentos seriam deslistados ou não. Feita esta etapa,
temos que reiniciar um processo com eles para restabelecer essas
plantas o mais rápido possível", disse o ministro da
Agricultura.
Maggi também reiterou que o descredenciamento dos
exportadores de aves à UE deverá ser respondido pelo Brasil com
a abertura de um painel na OMC, que servirá também para discutir
as cotas.

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AÇÃO DA BRF RESISTE
Analistas do UBS escreveram em relatório que, embora as
ações da BRF possam parecer com um preço atrativo e que
progressos têm ocorrido em relação a indicações para o comando
da companhia, as dificuldades atuais da empresa ainda devem
pesar nas ações.
A empresa encerrou 2017 com prejuízo líquido de cerca de 1
bilhão de reais e dívida líquida de 13,3 bilhões de reais, a
alavancagem foi de 4,46 vezes.
Mesmo com as fortes altas dos últimos dois pregões, a ação
da BRF ainda está longe da máxima de fechamento do ano, de 39,85
reais, e ainda mais dos 70,11 reais do seu recorde de fechamento
alcançado em 2015. O papel encerrou nesta quinta-feira cotado a
24,17 reais.
(Por Samantha Koester, em Bruxelas, e Ana Mano e Paula Arend
Laier, em São Paulo)
((Edição Redação São Paulo; +551156447764))
REUTERS PAL AAJ


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