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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

(Texto atualizado com declarações e mais informações)
Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 7 Jun (Reuters) – Em dia de forte turbulência nos
mercados financeiros no país, com disparada do dólar e forte
queda do Ibovespa, o presidente Michel Temer disse que não há
risco de crise cambial no país, atribuiu o dia complicado no
mercado financeiro a fatores externos, embora tenha reconhecido
também a instabilidade decorrente do quadro eleitoral, e
rechaçou a volta do tabelamento de preços.
"Estamos muito comprometidos com o ajuste fiscal, a questão
fiscal está inteiramente sob controle, tanto que os
investimentos continuam ocorrendo. É claro que essa greve de
caminhoneiros criou um problema, não podemos ignorar esse fato,
mas criou um problema logo superado. Poderia ser muito mais
grave", disse Temer em entrevista à emissora pública TV Brasil.
"Não há risco (de crise cambial). É natural, o dólar varia
muito."
O presidente justificou a alta do dólar no Brasil pela
elevação dos juros nos Estados Unidos, lembrando que isso teve
reflexo nas moedas de muitos países.
Temer garantiu que a questão fiscal está sob controle no
Brasil e as reservas internacionais do país são muito
significativas.
Ele reconheceu que o quadro eleitoral afeta diretamente a
economia e as pessoas ficam "instáveis" com os resultados que as
pesquisas apontam até agora, mas não há riscos para economia.
"Creio que os candidatos tomarão essa cautela de saber que o
Brasil mudou muitíssimo, e que o eleitor vai querer são
projetos", disse.
"Falas muitas vezes até exageradas, que não tem amparo na
realidade… por exemplo, tem muito candidato que vem aí e diz
que vai eliminar todas as reformas feitas. Isso desestabiliza o
mercado", disse, numa possível referência ao pré-candidato do
PDT, Ciro Gomes, que já disse que revogará a reforma trabalhista
se for eleito.
"Acho que pouco a pouco, quando chegar a campanha, os
candidatos verificarão que o Brasil tem que ter uma continuidade
naquele processo que se iniciou, com um ajuste fiscal
rigorosíssimo."
Sobre a interpretação de que a determinação do governo de
que o preço do diesel nos postos respeito o acordo acertado com
os caminhoneiros represente uma volta ao tabelamento dos preços,
o presidente rechaçou a possibilidade.
O dólar fechou em alta de 2,28 por cento, a 3,9258
reais na venda, maior patamar desde 1º de março de 2016. Na
máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,9684 reais.

Ao mesmo tempo, o Ibovespa , principal índice de
ações da B3, caiu 2,98 por cento, a 73.851 pontos, menor patamar
de fechamento desde 20 de dezembro do ano passado. No pior
momento, o índice chegou a despencar 6,5 por cento.
Questionado sobre o porquê da população não relacionar
avanços na economia com seu governo, Temer mostrou certa
irritação. Disse que a equipe econômica não "caiu do céu".
"Claro que o nome era sempre indicado por mim, portanto a
área econômica produziu muito adequadamente não porque as coisas
caíram do céu, mas porque havia um presidente preocupado com a
recuperação econômica do Brasil", afirmou.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

INQUÉRITOS
Outro momento em que Temer se mostrou irritado foi quando
questionado sobre as acusações de corrupção e os pedidos de
quebra de sigilo bancário e, agora, telefônico. Chamou de
"esquartejamento político e moral" as investigações que o
envolvem e disse ainda que não há um movimento investigativo mas
um movimento político contra ele.
"O tratamento que me dão é indigno, mas devo dizer isso
porque estou sendo tão vilipendiado", afirmou.
"Eu não me incomodo com quebra de sigilo. Foi tão
indevida… e mais uma vez tem o aspecto político. Porque não é
quebra de sigilo do Michel Temer, é quebra de sigilo do
presidente da República", disse.
"E agora chegam ao desplante de pedir a quebra de sigilo
telefônico. Se quebrar fique à vontade, peguem todos os meus
telefonemas, verifiquem com quem eu falei. Porque eles vão
quebrar a cara."
O presidente teve o pedido de sigilo bancário autorizado
pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso
no inquérito em que é investigado por supostamente beneficiar
com um decreto a empresa Rodrimar em concessões no porto de
Santos.
Já o sigilo telefônico foi pedido pela Polícia Federal no
inquérito em que é investigado em um esquema de pagamento de
propinas ao MDB pela empreiteira Odebrecht. O pedido foi negado
pelo relator no STF, ministro Edson Fachin, mas a entrevista
para a TV Brasil foi gravada antes da decisão.

(Edição de Alexandre Caverni)
(([email protected]; 5511 56447702; Reuters
Messenger: [email protected]))


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