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(Texto reescrito e atualizado com mais informações)
Por Agnieszka Flak e Stefano Rebaudo
MILÃO, 4 Mai (Reuters) – O fundo norte-americano de hedge
Elliott conseguiu superar o grupo francês de mídia Vivendi
nesta sexta-feira ao assegurar o controle da Telecom
Italia em uma assembleia de acionistas, em meio a uma campanha
do fundo ativista para sacudir companhias dormentes em toda a
Europa.
Elliott e Vivendi travavam uma disputa há dois meses sobre a
Telecom Italia, com o fundo norte-americano acusando a Vivendi
de servir apenas seus próprios interesses e o grupo de mídia
francês dizendo que o fundo estava procurando apenas por ganhos
financeiros de curto prazo. A Telecom Italia controla a TIM
, no Brasil.
Na assembleia, o Elliott conseguiu nomear 10 membros
independentes para o conselho de administração da Telecom
Italia, assegurando dois terços dos assentos disponíveis no
colegiado.
Cinco dos candidatos da Vivendi, incluindo o atual
presidente-executivo da Telecom Italia, Amos Genish, e o
presidente-executivo do grupo de mídia francês, Arnaud de
Puyfontaine, permanecerão no conselho.
A grande questão agora é se Genish, um aliado da Vivendi e
ex-presidente da Telefônica Brasil que é respeitado
por Elliott, governo da Itália e outros investidores, decidirá
continuar. A nova diretoria da Telecom Italia deverá se reunir
na segunda-feira para nomear um presidente-executivo e um
presidente de conselho para a empresa.
"A votação de hoje representa uma vitória para todos os
acionistas e abre um novo capítulo para a Telecom Italia, no
qual a empresa poderá construir uma base administrativa
aprimorada para garantir a criação de valor sustentável para
todas as partes interessadas", disse o Elliott em nota.
O fundo ativista lançou campanha para reduzir o controle da
Vivendi sobre a Telecom Italia em março. O Elliot montou uma
participação de 9 por cento no grupo italiano para tentar abalar
o modo como a Vivendi, que possui participação de 24 por cento,
administra a companhia italiana.
Genish definiu uma estratégia ambiciosa de três anos em
março, que foi bem recebida pelos investidores. O executivo tem
dito que sua posição seria "insustentável" se a Telecom Italia
terminasse com um conselho de administração que não apoiasse sua
estratégia.
Nesta sexta-feira, o fundo Elliott repetiu seu apoio a
Genish e seus planos, acrescentando que ficará a critério do
novo conselho e da diretoria avaliar se e quando realizar
qualquer uma das iniciativas estratégicas que o próprio grupo
propôs.
Elliott está intensificando suas atividades na Europa, já
que vê mais oportunidades para gerar valor por meio de pressão
para mudanças de gestão, divisões de empresas e acordos de
fusão.
"É um sinal de mudanças que estão por vir", disse Stefano
Fabiani, gerente de fundos da Zenit SGR, que investe em ações da
Telecom Italia.
Ele disse que as idéias propostas pelo Elliott, incluindo
spin-off, venda parcial da empresa de redes que será criada em
breve, conversão de ações preferenciais, retorno aos dividendos
e potenciais vendas de ativos "agora assumem um particular
significado".
A Vivendi reiterou sua participação de longo prazo na
Telecom Italia.
"Estaremos atentos para garantir que os diretores
independentes eleitos com a chapa de Elliott não pressionem pela
divisão da Telecom Italia", disse um porta-voz da Vivendi.
Desde que se tornou acionista da Telecom Italia em 2015, a
Vivendi gradualmente ampliou controle sobre o grupo, indicando a
maioria do conselho no ano passado e seu próprio
presidente-executivo como presidente do colegiado, tudo em nome
da ambição do bilionário francês Vincent Bollore de criar um
império de mídia no sul da Europa.
Dois presidentes-executivos da Telecom Italia deixaram a
companhia por causa de confrontos com a Vivendi.
Questionado sobre o resultado da assembleia, o porta-voz da
Vivendi afirmou que "ficamos surpresos com isso…como um
acionista com dinheiro do governo (italiano) pode votar junto
com um fundo de hedge com visão de curto prazo."
As ações da Telecom Italia, que acumularam valorização de 15
por cento desde que o Elliott começou a campanha para mudanças
na empresa no início de março, fecharam em alta de 2,15 por
cento nesta sexta-feira após a assembleia. As ações da TIM
subiram 0,65.
(Por Stephen Jewkes)
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447509))
REUTERS SI AAJ


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