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(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) – O aumento no preço dos grãos e
as suspensões comerciais em importantes mercados frustraram os
esforços da gestão para colocar a BRF no azul, disse
o presidente-executivo da companhia, Lorival Nogueira Luz, após
a empresa de alimentos registrar prejuízo pelo segundo trimestre
consecutivo.
Por volta das 15:15, as ações da BRF recuavam 2,21 por
cento, a 23,47 reais, após o resultado na quinta-feira ficar
abaixo do consenso dos analistas. Executivos disseram que os
preços de ração para animais continuaram a subir no segundo
trimestre, elevando os custos de produção para a maior
exportadora de frango do mundo.
"Desde o terceiro trimestre do ano passado, o preço da ração
subiu cerca de 20 por cento", disse Luz a analistas e
investidores em uma teleconferência para discutir os resultados,
referindo-se ao milho e ao farelo de soja. "Isso deve continuar
a impactar nossos custos de produção no segundo trimestre",
disse.
A BRF também enfrenta restrições para exportar carne de
porco e de frango à Rússia e à Europa, respectivamente, o que
levou a empresa a dar férias coletivas a empregados em cinco de
suas unidades. Mais medidas para adaptar a capacidade à demanda
podem ser anunciadas, disse Luz.
"Estamos monitorando a situação europeia de perto e talvez
precisemos nos adaptar às novas condições do mercado", disse.
A Europa restringiu as exportações do Brasil, principalmente
de frango, citando deficiências nos serviços de inspeção de
saúde do País, na esteira de uma investigação sobre
irregularidades na fiscalização de alimentos que acusou a
empresa e os auditores do governo de conspirar para fraudar
análises de saúde e qualidade.
A BRF reportou prejuízo líquido de 114 milhões de reais no
trimestre passado, contra estimativas de analistas que apontavam
lucro líquido de 14,99 milhões de reais.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização
(Ebitda) somou 783 milhões de reais, cerca de 7 por cento abaixo
das expectativas.
"Esperamos resultados desafiadores daqui para frente",
disseram os analistas do Credit Suisse, liderados por Victor
Saragiotto, em uma nota a clientes, apontando questões que
incluem grãos mais caros, a proibição europeia e a queda dos
preços dos alimentos no Brasil. Mais exigências de capital de
giro devido a níveis mais altos de estoque de produtos acabados
também poderiam pesar sobre a empresa, uma situação exacerbada
pelo fechamento temporário de certas unidades.
Não está claro se a BRF será capaz de redirecionar qualquer
excesso de capacidade de produção resultante das suspensões para
mercados alternativos, mantendo preços similares.
Isso já se mostrou difícil no primeiro trimestre, quando a
empresa aumentou o volume de vendas no Brasil em 9,6 por cento,
impulsionado principalmente por frango in natura, que tende a
ter margens e preços mais baixos do que os alimentos
processados.
(Por Ana Mano)
((Edição Redação São Paulo, 55 11 56447509))
REUTERS SI PAL


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