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Por Natalia Scalzaretto
SÃO PAULO, 13 Out (Reuters) –
O Brasil tem observado nos últimos anos um crescimento no
número de startups de tecnologia, mas embora o segmento
apresente mais força para avançar que anos anteriores, os
obstáculos para investidores e empreendedores seguem
consideráveis, segundo empresários do setor.
A evolução do mercado é impulsionada pelo desenvolvimento de
tecnologias como a computação em nuvem, que barateou custos e
ampliou a capacidade de processamento e armazenamento de dados
dessas empresas. O mercado nacional também se beneficiou do
aumento global de investimentos em tecnologia provenientes de
investidores de risco após a crise financeira de 2008.
"A partir da crise de 2008, tivemos uma expansão dos
investimentos no setor de tecnologia em geral. (…) Aqui no
Brasil a gente sente isso pelo crescimento expressivo no número
de aceleradoras, fundos de investimentos e valores investidos",
disse Jorge Vargas Neto, presidente-executivo da fintech Biva.
Segundo dados da Associação Brasileira de Startups
(ABStartups), que representa as companhias do setor, em 2012, a
entidade reunia 2.519 startups de todo o país. Em 2016, esse
número saltou para 4.273 empresas.
Só no Estado de São Paulo, a agência de fomento de
investimentos em pequenas e médias empresas, a Desenvolve SP,
que investe em fundos de participação desde 2011, registra
aportes de 262,9 milhões de reais em 42 empresas de tecnologia,
por meio de cinco fundos geridos em parceria com outras
instituições.
"Esses fundos veem uma janela de oportunidade num mercado
consumidor muito grande, com um talento ainda inexplorado",
disse Eduardo Lins Henrique, cofundador e vice-presidente sênior
de desenvolvimento de negócios da Movile, empresa criadora do
serviço de entrega de comida iFood e que atua no segmento de
startups há cerca de 20 anos.
A retomada da economia prevista para 2018 pode trazer
perspectivas melhores para o setor, tanto pelo esperado aumento
no poder aquisitivo dos consumidores brasileiros, quanto por
fatores macroeconômicos que incluem a inflação controlada e
juros em baixa.
"O investidor brasileiro está acostumado a instrumentos de
renda fixa. Com um cenário de retração da Selic, esses
investidores vão buscar alternativas mais rentáveis, então ganha
força o mercado de capitais", disse Vargas Neto.
Mas o país ainda precisa trabalhar para que o segmento se
desenvolva mais, como ocorre em outros países.
"O mercado de startups do Brasil é infinitamente mais maduro
e promissor do que era quando a gente começou (nos anos 1990).
Nós temos muito mais investidores olhando para o mercado, fundos
nacionais e internacionais investindo, temos muito mais anjos
custeando e fazendo investimentos, temos mais histórias de
sucesso, mais incubadoras. É suficiente? Não", disse Eduardo, da
Movile.
Para os empresários, é fundamental fomentar a mentalidade
empreendedora no país, seja por meio do ensino em faculdades, ou
do exemplo de casos de sucesso. A falta de exemplos nacionais de
startups com alta valorização de mercado, os chamados
"unicórnios", também é considerado um fator que desestimula
empreendedores e investidores em empresas de tecnologia do país.
"É bem importante a gente ter um caso de unicórnio com
retorno sobre o investimento para validar essa tese de que vale
a pena investir em startups no Brasil", disse Vargas Neto, da
Biva.

IMPOSTOS E CRIATIVIDADE
Um dos problemas que desestimulam diretamente o investimento
em empresas de tecnologia do país é a carga tributária, que
cresceu neste ano depois que a Receita Federal editou medida
para cobrar de investidores-anjo 15 a 22,5 por cento de imposto
sobre o rendimento gerado por recursos aportados em startups.
"O governo precisa entender melhor isso (startups). Quando
eu vi que o governo aumentou impostos para investidores-anjo eu
falei 'meu Deus do céu'. O governo precisa atrair e não espantar
esse tipo de gente. O nosso país precisa ter mais credibilidade
como um todo", disse o cofundador da Movile.
"A parte de impostos é uma completa loucura. O sistema
tributário é extremamente complicado e a carga tributária é
insana. A burocracia de trazer e tirar dinheiro (do país) é
super complicada", acrescentou.
Para sobreviver a esse ambiente hostil à inovação, algumas
startups aprenderam a se adaptar às dificuldades do mercado
nacional e encontraram no exterior canal para seu crescimento.
A Magnamed, startup criada em 2005, desenvolveu o ventilador
hospitalar portátil Oxymag, que pode ser usado em bebês,
crianças ou adultos e viu na exportação saída para a demora de
dois anos para receber a aprovação regulatória para seu produto
no Brasil.
"A gente nasceu exportando o produto. Só depois, em meados
de 2011, a gente conseguiu o registro do produto na Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", disse um dos sócios
fundadores da Magnamed, Wataru Ueda.
A partir disso, a companhia passou a considerar o tempo para
a aprovação regulatória, normalmente mais longo na área de
saúde, como parte do processo de desenvolvimento de seus
produtos. "A gente já está acostumado e isso faz parte do nosso
cronograma de desenvolvimento de produtos. Já não enxergamos
mais como um entrave", disse Ueda.
Segundo ele, a Magnamed aproveitou o fôlego obtido com cerca
de 20 milhões de reais em financiamentos levantados nos últimos
anos junto a diversas fontes – desde instituições voltadas à
pesquisa, como Fapesp e CNPq, até fundos de capital de risco,
como Criatec, apoiado por BNDES BNDES.UL ; e Vox Capital.
Atualmente, a empresa exporta para mais de 50 países e deve
gerar lucro pela primeira vez ano que vem.
(Por Natália Scalzaretto)
((Redação São Paulo, 55 11 56447753))
REUTERS AAJ

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