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Derrota sobre a Reforma Trabalhista enfraquece Temer

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O governo está naquela situação que não pode perder nem jogo de palitinho na esquina. Todos os agentes dos mercados estão preocupados com a governabilidade do país e processo sucessório e, qualquer derrota, é aproveitada pela oposição para bradar que o governo Temer não consegue aprovar mais nada.

O dia já estava complicado pela fragilidade das bolsas no exterior (começo do dia em alta, mas com viés negativo). A virada do petróleo no mercado internacional para queda acabou precipitando ainda mais. Outras commodities ajudaram no panorama mais negativo e a abertura em queda do mercado americano acabou consolidando tendência. Isso apesar de declarações mais favoráveis de formadores de opinião.

O secretário do Tesouro americano, Mnuchin, disse que reduzir o balanço do FED é atitude correta e que o Tesouro tem recursos para cumprir compromissos até o mês de setembro, mas está confiante na elevação do teto. Acrescentou que ainda não escolheram o próximo presidente do FED.

Em compensação, a aprovação do presidente Trump caiu mais para 36%, no nível mais baixo desde janeiro. Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 2,19%, com o barril cotado a US$ 43,23. Ao longo do dia, chegou a cair mais de 3,0%. O euro era transacionado em queda a US$ 1,113 e notes americanos com taxa de juros de 2,16%. O ouro e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento negativo.

No cenário local, o dia já estava complicado pelo julgamento de Aécio e outros pela primeira turma do STF. Além de entrega de parte das investigações sobre o presidente Temer, mas o que acabou acelerando mesmo a queda foi quando o governo foi derrota na CAS sobre a Reforma Trabalhista, em placar de 10×9. Isso apesar de não significar nada sobre o trâmite da reforma, permitiu leitura do quão difícil será aprovar a Reforma da Previdência, ainda que emagrecida.

A Receita Federal divulgou a arrecadação de maio em queda de 0,96% contra igual período anterior e queda no mês de 17,5%. No ano, na arrecadação ascende a R$ 544,5 bilhões, alta de 0,35%.

As desonerações do ano atingem R$ 35,2 bilhões. Foi a pior arrecadação para maio desde 2010. Saíram dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego) com a criação em maio de 34,2 mil vagas com carteira assinada, atingindo criação no ano de 48,5 mil vagas. Em 12 meses, o saldo é negativo em 853,7 mil vagas.

Na sequência dos mercados, os DIs mostravam juros em alta para os vencimento de maior liquidez e o dólar fechou com alta de 1,29% e cotado a R$ 3,33. Na Bovespa, na sessão de 16 de junho, os 1,29 investidores estrangeiros retiraram recursos no montante de R$ 377, 5 milhões deixando o saldo do mês de junho negativo em R$ 1,9 bilhões e o ano ainda com ingresso líquido de R$ 3,72 bilhões.

No mercado acionário, queda para a bolsa de Londres de 0,68%, Paris com -0,32% e Frankfurt com -0,58%. Madri com queda de 0,84% e Milão com -0,97%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 0,29% e Nasdaq com 0,82%. Na Bovespa, queda de 2,01% e índice em 60766 pontos. Queda forte nas ações de maior ponderação no índice como Petrobras (-3,5%), Vale (-2,87%) e Itaú com
-2,20%.

Na agenda vazia de amanhã, teremos o fluxo cambial da semana anterior pelo Bacen e os estoques de petróleo americano na semana passada. Consequência disso, o lado político voltará a pesar sobre o mercado local.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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