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Por Flavia Bohone
SÃO PAULO, 14 Jun (Reuters) – O setor de turismo ainda vê
demanda aquecida por viagens internacionais, mas a recente
valorização do dólar em relação ao real desperta cautela e já
leva à possibilidade de impacto nas expectativas para o ano, com
as empresas adotando medidas para mitigar os efeitos.
A Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa)
já vê a possibilidade da estimativa para o crescimento deste ano
ficar abaixo do esperado inicialmente, com impacto do setor
internacional.
"A gente tinha uma expectativa de crescimento de dois
dígitos para este ano (após alta de 8 por cento em 2017) e
talvez não atinja por causa do internacional", disse a
presidente da entidade, Magda Nassar, que também é
vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens
(Abav).
A executiva destacou, no entanto, que apenas no segundo
semestre será possível afirmar se a recente valorização do
dólar, que já acumula alta de cerca de 12 por cento no ano,
resultou em queda nas vendas de destinos internacionais. "Neste
momento a gente não sente um impacto absoluto."
Com a forte oscilação cambial, as empresas do setor de
turismo identificam que o consumidor fica mais cauteloso em
relação aos gastos, pesquisando e programando-se melhor para
fechar a compra, além de buscar fechar o câmbio em dias de queda
do dólar.
No entanto, mais importante do que a valorização cambial em
si, o que pressiona o segmento e gera mais cautela nos
consumidores, segundo profissionais do setor, é a forte variação
em um curto período de tempo.
"A oscilação é o que deixa o viajante inseguro em relação
aos seus gastos… Na semana passada teve um aumento importante
e logo em seguida uma queda", disse Nassar, referindo-se à alta
de 2,28 por cento apenas na quinta-feira da semana passada, que
levou a moeda norte-americana para perto dos 4 reais, seguida
por uma queda de 5,59 por cento na sexta-feira.
O presidente da companhia aérea Azul , John
Rodgerson, concorda que as oscilações bruscas são mais
prejudiciais do que a alta em si da moeda.
"Nós estamos em um mercado em que o dólar está flutuando
muito…quando no início do mês (o dólar) é 3,50 reais e no fim
do mês é 3,90 reais, acho que isso está preocupando mais as
pessoas", disse Rodgerson, acrescentando que as fortes
oscilações causam impacto nas reservas da empresas. Porém,
segundo ele, até o momento as vendas seguem aquecidas tanto para
os destinos internacionais como nacionais.
No mês passado, quando o dólar subiu 6,66 por cento em
relação ao real, a Azul, que tem ampliado suas operações
internacionais, registrou alta de 14 por cento na demanda total
por seus voos em relação ao mesmo período do ano passado, sendo
que a demanda internacional teve alta de 71,4 por cento,
enquanto o segmento doméstico cresceu 1,5 por cento.

"Ter o real mais estável é importante para nossas reservas,
mas o dólar tem que chegar a 7 reais para (compensar) comprar um
iPhone aqui no Brasil", brincou o presidente da Azul, comentando
que mesmo com o câmbio atual, ainda há produtos mais baratos que
atraem o turista para compras nos Estados Unidos.
Procurada, a companhia aérea Latam disse, por meio
de comunicado, que "observa com atenção os efeitos da flutuação
cambial no Brasil", mas que ainda não é possível "estimar o
exato impacto da volatilidade da moeda na demanda de
passageiros".

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MITIGANDO IMPACTOS
As fortes oscilações cambiais não são novidade no país,
fazendo com que as principais empresas do setor de turismo já
estejam preparadas para adotar rapidamente medidas para amenizar
seus impactos quando necessário.
A CVC Corp , especializada em viagens de férias e
lazer, disse que apesar da oscilação cambial teve alta de 12,7
por cento nas vendas do primeiro trimestre ante um ano antes,
considerando viagens nacionais e internacionais.
O que puxou o crescimento da CVC no período foram as vendas
de cruzeiros marítimos, com alta de 40 por cento, e de viagens
internacionais, que subiram 25 por cento.
"Nos números consolidados da CVC Corp, um dos maiores
crescimentos é da unidade de negócio CVC… e reflete as
estratégias que foram adotadas no primeiro trimestre (e algumas
em vigência até agora) e que mitigaram o impacto da alta do
dólar no período", disse a empresa. Entre as medidas adotadas
está oferta de "câmbio reduzido" aos clientes, que varia
conforme o destino e a cotação de mercado e é apoiado em
políticas de hedge da empresa.
Segundo Magda Nassar, da Braztoa, as empresas de viagens e
turismo que atuam no país já estão bastante preparadas para
momentos como o atual, com agências ofertando pacotes mais
amplos para que o cliente possa fechar o câmbio antes e parcelar
a compra em reais, tendo o mínimo possível de gastos durante a
viagem.
Já o presidente da Azul destacou que no lado dos custos, a
empresa tem os impactos mitigados devido à política de hedge que
atualmente cobre todo o capital de giro da empresa.
Em relação à demanda, Rodgerson destacou que a Azul busca
aproveitar momentos de valorização do dólar para atrair mais
viajantes de fora do Brasil que, segundo ele, ainda voam pouco
para o país. As parcerias com as empresas internacionais como
United Airlines, TAP e Jetblue , são importantes para
ajudar nesse processo de atrair turistas estrangeiros para o
Brasil.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 55 11 5644-7727; Reuters
Messaging: [email protected]))


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