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Déficit atinge 2,59% do PIB e coloca em pauta a elevação de tributos

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O governo pode até ter dormido um pouco mais tranquilo nessa noite que passou, mas os mercados seguiram estressados. Logo cedo, tivemos outra boa notícia pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) ao reduzir a meta de inflação de 2019 para 4,25%. Além disso, criou meta para 2020 de 4,00%. Commodities em alta agregavam tom positivo aos mercados de risco.

A Bovespa abriu em alta, mas com o correr do dia foi cedendo ao peso dos mercados em queda no exterior, com Europa no campo negativo e EUA acelerando queda. Para forçar ainda mais, o Tesouro anunciou déficit do governo central em maio de R$ 29,4 bilhões, superior ao estimado, acumulando no ano R$ 35,0 bilhões. Em 12 meses, o déficit atinge R$ 167,6 bilhões, algo como 2,59% do PIB. O déficit é o pior desde que a série é coletada em 1997. As despesas sujeitas ao teto de gastos cresceram até maio 5,4%, do limite de 7,2%. A receita teve queda real de 1,7% e as despesas -1,1%. Isso colocou no radar a necessidade de o governo elevar tributos para atingir a meta, apesar da negativa da secretária Ana Paula.

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No ambiente político, a denúncia de Temer foi lida no plenário da Câmara e, em seguida, foi entregue ao presidente que terá 10 sessões para responder com sua defesa. Rodrigo Maia ainda estuda os ritos que cercaram os trabalhos na câmara.

Na sequência dos mercados, os DIs fecharam o dia com juros em alta para os vencimentos mais líquidos e o dólar com alta de 0,65 % e cotado a R$ 3,304. Na Bovespa, na sessão de 27 de junho, os investidores estrangeiros voltaram a retirar recursos liquidamente em R$ 207,5 milhões, deixando o saldo negativo do mês em R$ 1,46 bilhões e o saldo de ingressos do ano em R$ 4,19 bilhões.

No segmento internacional, o presidente do FED de Saint Louis, James Bullard, disse que a economia cresce com inflação e juros baixos. Que o desemprego em queda não pressiona e não
significa inflação acelerando. Segundo Bullard ainda, os juros são apropriados para o momento. Indicou que na reunião de setembro o tema redução do balanço do FED deve ser abordado com mais ênfase.

O dia foi de divulgação da leitura final do PIB do primeiro trimestre com expansão maior que a prevista de 1,4% (expectativa era 1,2%), enquanto o índice PCE de inflação de gastos com consumo mostrou evolução de 2,4% anualizada para o trimestre, com núcleo em 2,0%. Os pedidos de auxílio desemprego cresceram 2000 posições para 244000, de previsto em 241000 pedidos.

Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em NY mostrava alta de 0,04%, com o barril em US$ 44,76 (oscilou bastante durante o dia). O euro era transacionado em alta para US$ 1,144 e os notes de 10 anos com taxa de juros em alta para 2,27%. O ouro e a prata na Comex estavam em queda e commodities agrícolas em alta na bolsa de Chicago.

No mercado acionário, a bolsa de Londres terminou em queda de 0,51%, Paris com -1,88% e Frankfurt com -1,83%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 1,60% e 1,63%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 0,78% e Nasdaq com-1,44%. Na Bovespa, tivemos dia de reversão de tendência para queda e depois fechamento em alta de +0,36% com 62.239 pontos.

Na agenda de amanhã, teremos dados da PNAD contínua do trimestre encerrado em maio pelo IBGE e a nota de política fiscal de maio pelo Bacen. Na Europa, o PIB do Reino Unido e desemprego de junho na Alemanha. Nos EUA, a renda e gasto pessoal de maio, o deflator PCE, o PMI de da atividade de Chicago e a confiança do consumidor de Michigan de junho.

Boa noite.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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