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Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 12 Jun (Reuters) – A Copa do Mundo na Rússia, que
começa na quinta-feira, deverá atrair milhões de pessoas para a
frente da televisão no Brasil, principalmente em ocasiões como a
cerimônia de abertura e jogos da seleção brasileira, o que exige
atenção especial na operação do setor elétrico para evitar
problemas no fornecimento.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) disse à
Reuters que o consumo cai fortemente durante as partidas,
conforme o país praticamente para suas atividades para torcer,
mas um esquema diferenciado de operação é necessário para
suportar a rápida disparada da demanda em momentos-chave, como
intervalos, quando a maior parte das pessoas aproveita para
apanhar uma bebida na geladeira, por exemplo.
Esse comportamento não é exclusivo do Brasil –na
Inglaterra, por exemplo, uma disputa de pênaltis entre a seleção
inglesa e a Alemanha na Copa de 1990 registrou um recorde na
demanda instantânea por energia, associado às transmissões
televisivas do torneio.
A operação em regime especial no Brasil, que inclui um
número maior de turbinas prontas a serem acionadas nas
hidrelétricas do país e programação diferenciada da
transferência de energia entre as diferentes regiões, terá
início duas horas antes das partidas da seleção e de eventos
como a abertura e o jogo final do campeonato.
O esquema, que também prevê reforços de equipes de plantão,
fica em vigor até duas horas após o encerramento dos jogos ou
cerimônias, uma vez que o aumento do consumo de energia cresce
fortemente após os jogos, com a retomada das atividades
comerciais e industriais.
"Eventos como a Copa resultam em um comportamento da carga
do sistema muito diferente de um dia normal… mas nós temos
muita prática e experiência em tratar essas situações. Isso
chega a ocorrer, em intensidade menor, em outros eventos de
mídia, como finais de campeonato, ou último capítulo de novelas
de grande audiência", disse à Reuters o diretor de Tecnologia da
Informação do ONS, Álvaro Fleury Veloso da Silveira.
"Obviamente, a escala na Copa é bem maior", destacou ele.
A National Grid, responsável pela operação do sistema
elétrico no Reino Unido, outro país de fanáticos por futebol,
disse à Reuters que também está se planejando para a Copa, assim
como o ONS.
"Esses aumentos na demanda de eletricidade ocorrem quando as
pessoas colocam água para ferver, abrem as portas da geladeira
ou acendem as luzes ao mesmo tempo, geralmente quando uma
transmissão na televisão termina ou durante um intervalo
comercial", disse em nota a National Grid.
Na abertura da Copa de 2014, no Brasil, por exemplo, o
consumo de energia começou a cair ainda quatro horas antes do
início da partida entre a seleção local e a Croácia, e ficou em
nível baixo ao longo de todo o primeiro tempo.
No intervalo, no entanto, a demanda teve um salto de quase 5
mil megawatts no Sudeste em apenas 11 minutos, o que representa
mais de 10 por cento da carga geralmente vista naquele horário
na região, de 40 mil megawatts, segundo levantamento do
assistente da diretoria de Operação do ONS, Jayme Macêdo,
publicado em boletim da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A carga voltou a cair naquele dia com a retomada da partida,
mas ao apito final houve uma nova "rampa de carga", como dizem
os técnicos, com crescimento de mais de 5 mil megawatts no
consumo do Sudeste e cerca de 7,6 mil megawatts em todo o país
em apenas 30 minutos, com a volta das pessoas à rotina.
"Uma rampa mais acentuada ocorre no final dos jogos,
especialmente quando eles se encerram próximo do início do
período de escurecimento diário, quando a retomada das
atividades normais acontece simultaneamente com a entrada da
iluminação pública… aí isso tem uma maior intensidade",
adicionou Silveira, do ONS.
Na Copa de 2010, por exemplo, um jogo entre Brasil e Chile
que acabou por volta das 18h teve uma disparada de 11,8 mil
megawatts na demanda em uma questão de 28 minutos –quase 20 por
cento da carga média vista no dia, ao redor de 60 mil megawatts.
Ainda assim, a demanda máxima no dia desse jogo entre a
seleção brasileira e o Chile em 2010 ficou cerca de 4,2 mil
megawatts abaixo do que se verificaria em um dia típico daquele
ano.

ATENDIMENTO COM FOLGA
A demanda reduzida, atribuída à paralisação de atividades
industriais e comerciais ao longo dos jogos, faz com que o
Brasil consiga atender à demanda extra do intervalo e do final
das partidas da Copa sem acionar mais termelétricas, que têm
custo maior e são mais poluentes que as hidrelétricas, segundo o
ONS.
"Como já tenho uma 'folga' intrínseca, pela redução (do
consumo), temos disponibilidade de geração hidráulica de uma
forma bastante tranquila para atender essa tomada de carga",
explicou Silveira.
Ele adicionou ainda que essas operações são realizadas pelo
ONS em sintonia com outras empresas do setor, como transmissoras
e distribuidoras de eletricidade, que seguem todas as mesmas
diretrizes para garantir a confiabilidade do fornecimento.
Essas diretrizes para a operação no período da Copa do Mundo
foram aprovadas por autoridades na semana passada, em reunião do
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), formado por
órgãos técnicos do segmento e liderado pelo Ministério de Minas
e Energia.
Segundo o CMSE, não há previsão de dificuldades no
atendimento à carga ao longo do torneio.

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(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
Reuters Messaging: [email protected]
– Twitter: @AnaliseEnergia))


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