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Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

Por Gabriela Mello
SÃO PAULO, 18 Jan (Reuters) – As construtoras já estão
colhendo os resultados dos primeiros sinais de recuperação da
economia, com a maioria das empresas reportando crescimento nas
vendas contratadas e também nos lançamentos do quarto trimestre
e do acumulado do ano, em um cenário de juros mais baixos e
maior confiança.
Já é consenso entre os participantes do setor que um dos
principais fatores para a melhora dos resultados foi a queda da
taxa Selic, que iniciou 2017 em 13 por cento ao ano e caiu para
mínima histórica de 7 por cento em dezembro passado, inspirando
a confiança de consumidores e empresários.
E esse sentimento já se reflete no mercado acionário – o
índice que reúne ações do setor disparou quase 32 por
cento na B3 em 12 meses – e também nas expectativas para 2018,
apesar da cautela característica de um ano eleitoral.
Tanto as construtoras de imóveis econômicos quanto as de
médio e alto padrão planejam intensificar os lançamentos e
vender mais unidades este ano. O ritmo de crescimento, contudo,
estará atrelado à disponibilidade de crédito, que desde o ano
passado preocupa o setor em meio aos esforços da Caixa Econômica
Federal CEF.UL para se adequar ao índice de Basileia III e ao
uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para outras
finalidades além do financiamento imobiliário.
"O total de financiamentos vai depender da política de
governo e das decisões do conselho curador do FGTS", alertou à
Reuters o presidente da Associação Brasileira das Entidades de
Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto de Abreu, em
meados de dezembro.
Ao mesmo tempo, os juros mais baixos tendem a favorecer as
captações da poupança, elevando a disponibilidade de recursos
para financiamento imobiliário via Sistema Brasileiro de
Poupança e Empréstimo (SBPE). Para 2018, a Abecip prevê alta de
15 por cento nessa modalidade de crédito. urn:newsml:reuters.com:*:nE6N1MZ01W
Esse é um dos motivos que levou a MRV MRVE3.SA a relançar
no fim do ano passado uma linha de empreendimentos voltada para
média renda, atendendo a famílias com renda mensal de 5 mil a 10
mil reais com apartamentos de 200 mil a 350 mil reais.
O segmento, que além do SBPE usará recursos da linha
pró-cotista e da aguardada Letra Imobiliária Garantida (LIG),
inicialmente representará menos de 5 por cento do mix de vendas,
mas esse percentual pode chegar a 30 por cento nos próximos
anos. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1OC1LF
Maior construtora de imóveis econômicos do país, a MRV diz
ter condições de lançar 50 mil imóveis por ano já em 2018, o que
significaria um aumento de 35 por cento sobre as 37.155 unidades
de 2017. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1PC0CK
Enquanto isso, a rival Tenda TEND3.SA prevê expandir em
até 15 por cento os lançamentos em 2018, bem como gastar 25 por
cento mais com a aquisição de terrenos (landbank), apesar de
preocupações com a continuação da faixa 1,5 do Minha Casa Minha
Vida (MCMV), que segundo executivos contabilizou 40 por cento
das vendas em 2017. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1O60V9
No segmento de médio e alto padrão, o otimismo também já
começa a reaparecer entre as construtoras que mais foram
penalizadas pelo elevado volume de distratos diante da mais
profunda recessão econômica do país.
Antes mesmo da prévia operacional de 2017, que indicou altas
de 17,8 por cento nas vendas contratadas e de 3,9 por cento em
lançamentos, executivos da Cyrela CYRE3.SA já manifestavam a
expectativa de retornar ao lucro em 2018. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1PD0AJ
urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1NG17S
A Gafisa GFSA3.SA , por sua vez, vê chance de melhorar as
margens brutas, reduzir ainda mais os distratos e lançar entre
900 milhões e 1 bilhão de reais neste ano. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1OE0HN
Outra que começou a reverter a tendência negativa foi a
EzTec EZTC3.SA , cujas vendas líquidas acumuladas em 2017
saltaram 1.014 por cento e os lançamentos dispararam 328 por
cento sobre os níveis de 2016.
A Even EVEN3.SA , por sua vez, vendeu 10,5 por cento mais
no ano passado, mas lançou 3,6 por cento menos na comparação
anual.
Em relatório, analistas do Credit Suisse liderados por
Nicole Hirakawa ressaltaram que todas as companhias mostraram
"alguma melhora", mas Tenda e Cyrela "roubaram a cena". Na
avaliação deles, a velocidade de vendas do estoque foi o
destaque dos resultados preliminares da Cyrela, que ainda
mostraram redução dos distratos.
Quanto à Tenda, a equipe do banco observou que o desempenho
foi ajudado pela faixa 1,5 do MCMV, uma modalidade que o Credit
Suisse não vê como sustentável, considerando o atual formato
financeiro do FGTS.
Ainda segundo os analistas, a EzTec continua apresentando
sinais de melhora, entregando vendas brutas maiores e menos
cancelamentos, enquanto a Even foi a que teve a prévia "menos
inspiradora".
Na terça-feira, os dados da MRV também foram bem recebidos
por analistas, com o BTG Pactual atribuindo recomendação de
compra para o papel, o qual considera como principal escolha do
setor.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 551156447553; Reuters
Messaging: [email protected]))

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