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Por Aluisio Alves
SÃO PAULO, 10 Jan (Reuters) – A Ecorodovias
arrematou nesta quarta-feira a licitação do Rodoanel Norte com
uma surpreendente oferta de quase o dobro da outorga mínima,
numa operação que abriu o calendário de 2018 de concessões de
infraestrutura no país.
A oferta de 883 milhões de reais feita pela companhia
superou de longe a de sua única rival no certame, a italiana
Atlantia , e ficou 90,97 por cento acima do mínimo
estipulado pelo governo paulista para o lote, de 462,3 milhões
de reais.
Com a vitória, a Ecorodovias, que já tem na carteira a
concessão do sistema Anchieta-Imigrantes e a da Ayrton
Senna-Carvalho Pinto, vai administrar cerca de 45 quilômetros da
via que interliga as rodovias Bandeirantes, Fernão Dias e Dutra,
controladas pelas rivais CCR e Arteris.
Além da outorga, o investimento estimado em melhorias no
projeto ao longo dos 30 anos da concessão são estimados em 2,2
bilhões de reais. Este é o último dos quatro trechos do anel
viário que circunda a região metropolitana da capital paulista e
que foi idealizado sobretudo para tirar da capital grande parte
do tráfego de veículos pesados.
A CCR , que administra o trecho Oeste do Rodoanel,
fez suspense até o último momento, até decidir não participar do
leilão desta quarta-feira. Em comunicado, a empresa afirmou que
ficou de fora porque seus estudos de viabilidade encontraram
"elevados riscos de engenharia e investimentos ainda não
concluídos; premissas de tráfego e custos operacionais
divergentes dos estudos realizados pela CCR, dentre outros". A
CCR já administra o trecho oeste do rodoanel.
A SPMar, que administra os trechos leste e sul do anel
viário e está recuperação judicial, também ficou de fora.
O presidente-executivo da Ecorodovias, Marcelino Rafart de
Seras, se disse surpreso pelo fato de ter havido apenas dois
concorrentes no certame.
"Eu esperava mais concorrência porque essa licitação
interessaria a qualquer grande concessionário do mundo", disse
Seras a jornalistas.
Apesar da oferta da Atlantia ter sido bastante inferior, de
517,85 milhões de reais, Seras defendeu o ágio oferecido pela
Ecorodovias, argumentando que o preço pago garante uma taxa de
retorno "confortável", embora não tenha dito o número.
As ações da Ecorodovias que chegaram a cair 5,3 por cento
logo após o anúncio do vencedor do leilão, seguiam entre as
maiores quedas do Ibovespa perto do final do pregão, em
baixa de 3,2 por cento às 17:06.
"O mercado não pode nos punir por estarmos crescendo", disse
Seras, ao saber que as ações da Ecorodovias caíram logo após o
resultado do leilão.
Segundo o analista da Guide Investimentos Rafael Passos, a
queda nas ações da Ecorodovias hoje reflete uma pressão de curto
prazo relacionada a uma preocupação com o endividamento da
companhia. Além disso, o ágio elevado traz preocupações sobre
pressão na taxa de retorno do empreendimento. A Ecorodovias
tinha ao final de setembro uma relação de dívida líquida sobre
Ebitda de 2,5 vezes em termos proforma.
"O ágio de 91 por cento foi bem excessivo… O mercado
compraria um ágio de até 50 por cento com impacto mais positivo,
mas 91 por cento é muito agressivo", disse Passos.
Seras afirmou que itens da licitação, como garantias de
indenização caso o governo paulista não cumpra determinados
pontos e a necessidade de baixo investimento nos primeiros 5
anos da concessão (217 milhões de reais) foram pontos
importantes para garantir interesse da Ecorodovias pelo ativo.
A Ecorodovias participou de outras licitações de rodovias
realizadas pelo governo de São Paulo no ano passado. Em abril
passado a empresa ofereceu ágio de 222 por cento pela Rodovias
dos Calçados, mas perdeu a disputa para a Arteris, que ofertou
ágio de 438 por cento. Um mês antes, a empresa
perdeu a concessão da Rodovias Centro Oeste Paulista, vencida
pelo grupo de investimentos Pátria com ágio de 131 por cento.

Seras disse que o pagamento da outorga será feito com um
misto de capital próprio, emissão de debêntures de
infraestrutura e eventualmente empréstimo bancário. A empresa
foi assessorada no leilão pelo Santander Brasil . A
tomada de recursos no BNDES está descartada.
O executivo disse ainda que a Ecorodovias deverá prosseguir
com os planos de saída de ativos não ligados a rodovias. Seras
afirmou que a companhia pode participar de leilões de estradas
federais que devem ir a leilão ainda em 2018, mas descartou
interesse em eventual compra no mercado secundário da concessão
dos trechos Sul e Leste do Rodoanel, nas mãos da SPMar.

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REFORMA DE ESTADO
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB),
classificou o leilão como parte de um processo de reforma do
Estado brasileiro, que envolve redefinir o papel do governo na
economia, atraindo capital privado para investimentos em
infraestrutura.
Alckmin, anunciou uma série de outros ativos que o governo
paulista deve privatizar ou licitar nos próximos meses, como a
venda da estatal elétrica Cesp e a concessão da linha
5 do metrô paulista, este previsto para o final da semana que
vem.
"O país não têm recursos para investimentos em
infraestrutura e a atração de estrangeiros pode ajudar a
resolver isso", disse Alckmin. Mas o governador negou que essas
operações sejam uma vitrine para sua pré-candidatura para a
corrida presidencial deste ano.
O trecho norte do rodoanel será entregue em duas etapas,
disse o governador. A primeira, até julho, ligando as rodovias
Bandeirantes e Fernão Dias. A outra que vai até a Via Dutra,
deve ser entregue até novembro, concluindo o anel que tem
extensão total de 177 quilômetros.
A concessão prevê que os usuários da via que pagarem o
pedágio por meios eletrônicos terão 5 por cento de desconto no
valor da tarifa.

(Com reportagem adicional de Flavia Bohone, edição Alberto
Alerigi Jr.)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))


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