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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Lisandra Paraguassu e Leonardo Goy
SÃO PAULO/BRASÍLIA, 21 Mai (Reuters) – Caminhoneiros
realizaram nesta segunda-feira protestos em 19 Estados e no
Distrito Federal, afetando o transporte de cargas com impacto
até no porto de Santos, em manifestação que pede redução da
carga tributária sobre o diesel em meio a elevados preços do
combustível mais utilizado no país.
As manifestações levaram integrantes da cúpula do governo a
se reunirem com o presidente Michel Temer no início da noite
para tratar da alta dos combustíveis e na terça deverá haver um
diálogo com a Petrobras .
Sem uma decisão sobre a reivindicação dos caminhoneiros, o
ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o
presidente está preocupado com a alta constante dos
combustíveis, com a Petrobras repassando os ganhos do mercado
internacional de petróleo, que está oscilando perto dos maiores
valores em mais de três anos.
"Temos uma política internacional de preços que a Petrobras
acompanha diariamente, e isso tem dado aumentos, com o dólar
subindo e o petróleo subindo… O que vamos tentar agora é ver
se encontramos um ponto em que possa haver um pouco mais de
controle desse processo para que os maiores interessados…
possam ter previsibilidade sobre o que vai acontecer", disse
Padilha a jornalistas.
Ele afirmou ainda que o governo tem trabalhado para dar uma
resposta aos caminhoneiros.
"Temos que trabalhar com a realidade, mas temos que ter uma
resposta. Possivelmente hoje não, porque teremos que conversar
com a Petrobras, possivelmente amanhã", acrescentou Padilha,
ressaltando que Temer quer ver a questão resolvida da forma mais
"palatável" aos cidadãos. O ministro, no entanto, não detalhou
sobre o que será tratado com a Petrobras.
Os protestos contra os altos custos com o diesel foram
realizados em dezenas de rodovias, com registro de interdições
em muitas delas –a Polícia Rodoviária Federal não detalhou em
seu site se as barreiras nas estradas eram totais ou parciais.
Importantes Estados agrícolas, como Mato Grosso, Paraná, Rio
Grande do Sul, Goiás e Minas Gerais, que estão escoando uma
safra recorde de soja, registraram o maior número de
interdições, segundo a PRF.
As manifestações afetaram o fluxo de mercadorias que entram
e saem do porto de Santos, o maior da América Latina e o
principal na exportação de soja, café, açúcar e suco de laranja,
commodities que o Brasil lidera no mercado global.
"O acesso de veículos rodoviários de carga às instalações do
porto de Santos ficou comprometido pela ação dos manifestantes.
O fluxo de acesso já apresentava, desde as primeiras horas da
manhã, significativa redução em virtude do anunciado movimento",
afirmou em nota o porto de Santos.
O porto afirmou ainda que operações de carga e descarga de
navios ocorreram normalmente, apesar de protesto de
caminhoneiros, com alguns terminais contando com estoques.
Santos recebe boa parte de produtos como soja, açúcar e farelo
de soja por via ferroviária, o que reduz o impacto da
manifestação para alguns terminais.
Mas se os protestos prosseguirem por mais tempo isso pode
vir a comprometer os embarques brasileiros.
"Normalmente, essas paralisações são por tempo determinado.
Elas teriam de se prolongar por alguns dias para ter impacto nos
embarques de grãos… Pode acabar atrasando os recebimentos",
disse o assistente-executivo da Associação Nacional dos
Exportadores de Cereais (Anec), Lucas Trindade.
Representantes dos caminhoneiros disseram que os protestos
continuarão na terça-feira.

DIESEL EM ALTA
A Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), que
organiza a greve, afirmou que a manifestação teve adesão
massiva, de cerca de 200 mil motoristas, acrescentando que a
maior parte das interdições tem sido parcial, ou seja, sem
fechar completamente as vias.
O movimento cobra do governo reduzir a zero a carga
tributária sobre o diesel. No meio da tarde, antes da reunião
dos ministros, caminhoneiros realizavam um buzinaço em Brasília
para chamar a atenção para o tema.
Desde que a Petrobras implantou em julho passado um sistema
de reajustes mais frequentes de preços dos combustíveis, para
refletir cotações internacionais do petróleo e do câmbio, tanto
o diesel quanto a gasolina tiveram aumentos de quase 50 por
cento nas refinarias da empresa.
Apesar dos protestos, a Petrobras anunciou nesta
segunda-feira um novo aumento no preço do diesel e da gasolina
nas refinarias.
"A Abcam entende o novo aumento do combustível como um
desaforo a todos os trabalhadores brasileiros", disse o
presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes.
Já o setor de combustíveis afirma que boa parte do preço na
bomba decorre da elevada carga tributária, enquanto a Petrobras
afirma que não tem o poder de formar as cotações.
A greve dos caminhoneiros acontece enquanto entidades que
representam os donos de postos também apelam por mudanças
tributárias, afirmando que a política de preços da Petrobras
está causando prejuízos ao setor.
Nesta segunda-feira foi a vez do Sindicato do Comércio
Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo
(Sincopetro) também protestar.
"Essa política de preços da Petrobras satisfaz governos e
investidores da companhia, mas expropria a população por meio do
aumento dos custos de todas as mercadorias e serviços
movimentados no país, e, como consequência, dos preços finais",
afirmou o Sincopetro.
"Ficou difícil acompanhar a vertiginosa escalada dos preços
dos combustíveis nas refinarias", acrescentou o sindicato,
ressaltando que desde a mudança na política a Petrobras fez
alterações nos preços –mais frequentemente para cima– 125
vezes.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.
A última vez que os caminhoneiros promoveram protestos em
âmbito nacional foi no início de 2015, quando exigiram redução
de custos com combustível, pedágios e tabelamento de fretes.
Para o BTG Pactual, mudar a política de preços da Petrobras
"não é a melhor opção".
"A outra opção é reduzir impostos. O problema é o impacto
negativo sobre as contas fiscais do Brasil", diz o banco,
lembrando que há, por exemplo, algum espaço para reduzir a Cide
(Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico), mas com
pouco impacto real sobre os preços.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

(Com reportagem adicional de José Roberto Gomes e Roberto
Samora; edição de Alberto Alerigi Jr. e Eduardo Simões)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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