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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 20 Dez (Reuters) – O Brasil fechou nesta semana a
contratação de novas usinas de energia eólica e de geração solar
a preços menores que os de hidrelétricas, que são
tradicionalmente o carro-chefe e a mais barata fonte de produção
de eletricidade no país.
Os resultados, em leilões de energia na segunda e nesta
quarta-feira, foram impulsionados pela disputa entre empresas e
por crédito externo, com investidores em busca de alternativas
competitivas em substituição ao Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tradicional fonte de
recursos para infraestrutura no país, segundo autoridades.
As licitações registraram fortes deságios ante os preços
teto estabelecidos pelo governo e evidenciaram um grande
interesse pela construção de empreendimentos, com investimentos
previstos de mais de 18 bilhões de reais e que deverão ser
entregues entre 2021 e 2023, adicionando cerca de 4,5 gigawatts
à matriz elétrica.
O resultado mostra ainda que o governo pode ter uma tarefa
mais fácil em redirecionar os investimentos do setor elétrico
para fontes renováveis como eólica e solar, em revisão de uma
política que antes previa priorização de hidrelétricas.
Entre os vencedoras da concorrência destacaram-se
multinacionais como a italiana Enel , a norte-americana
AES e a portuguesa EDP , que mostraram intenso
apetite por investimentos renováveis nos primeiros leilões para
projetos eólicos e solares desde 2015, após o governo cancelar
licitações no ano passado devido à falta de demanda por
eletricidade em meio à crise financeira do país.
"Tivemos quase dois anos sem leilão, então isso faz com que
os fornecedores… mergulhem o preço, e isso ajuda a explicar o
preço baixo. Mas ainda assim, se você me perguntasse duas
semanas atrás, eu não esperaria que rompessem patamares tão
baixos", disse à Reuters o diretor da consultoria Excelência
Energética, Erik Rego.
"A conjuntura favoreceu, a taxa de juros está caindo, isso
acaba interferindo no resultado", acrescentou o consultor.
O presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), Luiz Barroso, disse a jornalistas após o certame que foi
possível perceber que diversos empreendedores buscaram novas
formas de se financiar, como agências de crédito à exportação de
outros países, por exemplo.
"Existem financiamentos que são dados a taxas muito
competitivas e com proteção cambial. Esse mercado o Brasil não
capturava, e nesse leilão capturou, em praticamente todas
tecnologias (de geração), o que leva a uma possibilidade de
preços competitivos", disse.
Barroso destacou que diversos empreendimentos solares, por
exemplo, deverão utilizar financiamentos externos e equipamentos
importados, sem necessidade de recursos subsidiados do BNDES.
"O BNDES tem seu papel e vai continuar tendo, mas a
'oxigenação' das práticas (de financiamento) é muito
importante", reforçou.

MÍNIMAS RECORDES
No leilão A-6 desta quarta-feira, os projetos eólicos
chegaram a negociar a venda da produção futura por um preço
médio de cerca de 98 reais por megawatt-hora, contra uma mínima
recorde anterior, em licitação de 2012, de quase 119 reais
atualizado pela inflação.
Na contratação da segunda-feira, o chamado leilão A-4, as
usinas solares praticaram preços médios de cerca de 145 reais,
contra uma mínima de 245 reais de um pregão de 2014.
O certame desta quarta-feira também contratou hidrelétricas
–que tiveram preço médio de cerca de 219 reais– e
termelétricas a biomassa e gás natural, com valores médios entre
218 e 213 reais.
"A gente efetivamente entrou na lista de países que estão
comprando renováveis abaixo de 40 dólares (por megawatt-hora), e
não são preços específicos de um ou outro projeto, é uma grande
quantidade de empreendimentos", reforçou Barroso.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

DISPUTA ACIRRADA
O resultado histórico para as renováveis, com forte deságio
frente aos preços teto estabelecidos para os leilões, também
teve impulso de uma enorme disputa entre investidores para
fechar os contratos de longo prazo para entrega de energia às
distribuidoras.
As empresas vencedoras foram principalmente estrangeiras,
como a italiana Enel Green Power, com projetos eólicos e solares
e presença nos dois certames, a AES Tietê, que viabilizou usinas
solares, além da EDP Renováveis, da francesa Voltalia, e da
Neoenergia, controlada pelos espanhóis da Iberdrola.
Nos empreendimentos a gás natural, destacou-se a Prumo, que
viabilizou uma termelétrica de quase 1,7 gigawatt em capacidade
a ser construída no Porto de Açu, no Rio de Janeiro.
Somados, os dois leilões realizados nesta semana
acrescentarão cerca de 4,5 gigawatts em capacidade à matriz
brasileira, sendo 674,5 megawatts para entrega em 2021 e 3,8
gigawatts para conclusão em 2023.
Os empreendimentos contratados deverão somar mais de 18
bilhões de reais em investimentos para serem implementados, com
a maior parte, ou quase 14 bilhões de reais, associada aos
empreendimentos com entrega para 2023.
Os resultados comprovaram expectativas do mercado, de uma
licitação mais movimentada para os empreendimentos com maior
prazo de conclusão, devido à perspectiva de gradual recuperação
da economia brasileira após a recessão enfrentada em 2015 e
2016.

(Por Luciano Costa; edição de Roberto Samora)
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