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BRASÍLIA, 29 Jan (Reuters) – A Comissão de Ética Pública da
Presidência da República decidiu pela aplicação da censura ética
ao ex-ministro da Indústria, Comércio e Serviços Marcos Pereira
e ao ex-vice-presidente corporativo da Caixa Econômica Federal
Antonio Carlos Ferreira.
Ambos foram investigados pela comissão no mesmo caso,
derivado das delações dos executivos do grupo J&F, em que
Pereira é acusado de ter recebido recursos indevidos, que
poderiam chegar a 500 mil por mês, para atuar em benefício da
J&F.
O ex-ministro teria atuado na CEF, com a ajuda de Ferreira,
para manter aberta uma linha de crédito em favor da J&F. Segundo
o presidente da comissão, no caso de Pereira, apenas uma
gravação –em que Joesley Batista pede que o ex-ministro aja
para bloquear a entrada de outros empresários brasileiros do
setor de calçados na Argentina, para beneficiar seus negócios–
já é o suficiente para merecer a censura.
"A conversa aparenta uma aquiescência. Soou à comissão como
uma atitude que faltava à ética", disse Menezes.
A censura ética é a maior punição que pode ser determinada
pela comissão. Mesmo que os punidos ainda estivessem exercendo
seus cargos, ela não teria um efeito prático a menos que o
presidente da República decidisse acatar a sugestão dos
conselheiros –que, nesse caso, iriam sugerir também a demissão.
"A censura faz com que no currículo conste que a autoridade
não se houve bem aos olhos da integridade quando exerceu cargo
público", explicou Menezes, ressaltando que isso não impede a
pessoa de voltar a exercer função pública.
Pereira pediu demissão no início desde mês, alegando ser
candidato nas próximas eleições e ter de reorganizar seu
partido, o PRB, para o pleito.
Ferreira foi um dos quatro vice-presidentes da CEF afastados
pelo presidente Michel Temer, por recomendação do Banco Central,
por envolvimento em irregularidades. Ele e outros três
dirigentes são investigados pelo Ministério Público em um
esquema de desvios na CEF.
Ferreira, Roberto Derziê (governo) e Deusdina Pereira
(Fundos de Governo e Loterias) foram afastados em definitivo. Já
José Henrique da Cruz, de Clientes, Negócios e Transformação
Digital, foi restituído, porque a Caixa entendeu que não havia
"elementos suficientes" para configurar responsabilidade
Segundo Menezes, da comissão, não houve consenso em relação
à punição da ex-vice-presidente Deusdina e ele mesmo pediu
vistas para que o processo volte a ser analisado na reunião de
fevereiro, quando todos os sete conselheiros estarão presentes.
Nessa reunião, dois estavam ausentes.
Deusdina Pereira é investigada por uma suposta "troca de
interesses" na concessão de um empréstimo da Caixa à Companhia
Energética de Minas Gerais (Cemig). Em troca, receberia um cargo
no Conselho da empresa.
A comissão ainda não decidiu abrir processo contra Derziê e
Cruz.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu; Edição de Alexandre
Caverni)
(([email protected]; +55.61.34267000;
Reuters Messaging:
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