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Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) – A atividade de serviços do
Brasil encolheu em novembro no ritmo mais forte em nove meses
devido à perda de clientes, levando a confiança do setor ao
nível mais baixo desde o início do ano passado, de acordo com a
pesquisa Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês)
divulgada nesta terça-feira.
O IHS Markit informou que o PMI do setor de serviços
brasileiro recuou a 46,9 em novembro contra 48,8 em outubro,
segundo mês seguido abaixo da marca de 50 que separa crescimento
de contração.
"Os entrevistados (…) citaram o embiente operacional
difícil, a perda de clientes existentes e as inadimplências por
parte dos clientes como causas", explicou o IHS Markit,
destacando que três das cinco categorias monitoradas, Transporte
e Armazenamento, Serviços ao Consumidor, e Serviços Imobiliários
e Empresariais registraram queda na atividade.
A atividade contraiu mesmo com um pequeno aumento na entrada
de novos trabalhos, revertendo a redução registrada em outubro,
graças a políticas de preços competitivos adotadas pelas
empresas.
Entretanto, as preocupações com a escassez de crédito, as
pressões inflacionárias e a demanda reprimida contiveram o
otimismo dos empresários, que chegou ao nível mais baixo desde o
início de 2016, embora ainda haja expectativa de planos de
reestruturação e investimentos em publicidade.
Os preços de vendas ficaram em novembro basicamente
inalterados, após três meses de descontos. Enquanto algumas
empresas aumentaram os preços tentando dividir as cargas
adicionais de custos com os clientes, outras fizeram reduções em
meio a taxas de juros em queda e pressões competitivas.
Por outro lado, os custos de insumos continuaram a aumentar
no mês, pressionados por combustíveis, energia e materiais
importados, porém a taxa de inflação foi a mais fraca em quatro
meses.
Buscando aliviar a pressão sobre as margens de lucros diante
desse cenário, os fornecedores de serviços voltaram a reduzir a
força de trabalho, numa sequência que já dura quase três anos,
no ritmo mais forte desde agosto.
Se de um lado o setor de serviços apresenta contração, o PMI
da indústria apontou expansão desse setor ao nível mais elevado
em quase sete anos em novembro.
Com a queda no setor de serviços, o PMI Composto do Brasil
registrou contração pelo segundo mês seguido, atingindo o menor
nível desde junho de 48,9, contra 49,5 em outubro.
"A conjuntura positiva vista na indústria deve ser mantida
para o ano novo já que as empresas trabalham para reconstruir
seus estoques buscando atender novos contratos. Por outro lado,
as empresas de serviços vão esperar uma melhora da demanda para
se manterem ocupadas", disse em nota a economista do IHS Markit
Pollyanna De Lima.

(Edição de Iuri Dantas)
(([email protected]; 55 11 5644-7729; Reuters
Messaging: [email protected]))

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