Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

Por Ana Mano
CAMPO NOVO DO PARECIS, Mato Grosso, 19 Jan (Reuters) – Os
rendimentos e a produção de soja no Brasil neste ano podem se
igualar ou mesmo superar os níveis do ano passado, apesar de uma
seca que atrasou o plantio e de fortes chuvas que interrompem a
colheita em algumas partes de Mato Grosso, principal produtor de
grãos do país.
Com o desenvolvimento da soja precoce melhor do que alguns
produtores previam para o médio-norte do Estado, os dados de
campo coletados nesta semana indicam "um viés de alta" para os
rendimentos e a produção, disse nesta sexta-feira o agrônomo
Fabio Meneghin, sócio da consultoria Agroconsult, que organiza a
expedição agrícola Rally da Safra.
O Mato Grosso é geralmente o primeiro Estado a iniciar a
colheita de soja no Brasil e deve produzir mais de 30 milhões de
toneladas da commodity nesta temporada, mais de um quarto da
produção total prevista para o país.
As lavouras estão em condições semelhantes ou melhores do
que as do ano passado, afirmou João Leite, que cultiva 13,4 mil
hectares de soja em Nova Mutum. Embora uma estiagem tenha
dificultado o plantio no início da temporada, os rendimentos
médios deverão aumentar para 53 sacas por hectare, de 51,5 sacas
no ciclo anterior, disse ele.
Ainda assim, outros produtores da região não devem obter
resultados semelhantes, disse Leite, citando as condições
climáticas extremamente secas durante a segunda metade de
setembro, o período ideal para se iniciar a semeadura.
"Mesmo com as chuvas potencialmente criando dificuldades
durante a colheita, não esperamos nenhuma perda de safra", disse
Evandro Lermen, diretor-presidente da Coacen, uma cooperativa
agrícola que agrupa 43 famílias em Sorriso, maior município
produtor de soja do Brasil.
Ainda no oeste de Mato Grosso, prolongados períodos de chuva
– até 12 dias ininterruptos em janeiro – "avariaram" algumas
plantações, afirmou o gerente agrícola Evandro Dal Bem aos
analistas do Rally da Safra, sem elaborar.
A Agroconsult prevê que o Brasil colherá 114,1 milhões de
toneladas de oleaginosa neste ano, em linha com o recorde
histórico da última temporada, que foi beneficiada por um clima
considerado "perfeito".
Antes da expedição agrícola, a consultoria estimou que os
rendimentos atingiriam média de 54 sacas por hectare no país, o
segundo maior nível na história após as 56 sacas em 2017. Para
Mato Grosso, os rendimentos médios são estimados em 54,5 sacas.
Alexsander Gheno, que cultiva 2.100 hectares de soja,
antecipa uma "queda de braço" com as tradings em meio a outra
safra volumosa. Ele disse que os rendimentos e a produção tendem
a crescer nesta temporada, mas a rentabilidade dos agricultores
não seguirá o mesmo caminho.
Com base nos dados da colheita recém iniciada, Gheno calcula
que os rendimentos médios em sua propriedade aumentarão para 67
sacas por hectare, de 64 sacas na última temporada.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS JRG LC


Assuntos desta notícia