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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 15 Fev (Reuters) – A região central do Brasil,
que responde por grande parte da produção de soja do país,
deverá receber na segunda quinzena de fevereiro grandes volumes
de chuvas, cerca de o dobro do registrado em média nesta época
em algumas áreas, potencialmente acentuando atrasos nos
trabalhos da safra 2017/18 do maior exportador global da
oleaginosa, segundo especialistas e dados meteorológicos.
Chuvas abundantes nesta época de colheita, além de gerar
atrasos que podem repercutir no ritmo de exportações do país,
representam uma chance maior de a soja ser colhida com umidade
acima do normal, gerando descontos no preço para produtores que
não dispõem de sistema de armazenamento com secador.
Perdas pelas chuvas também poderiam ocorrer em casos mais
extremos, mas isso ainda não seria suficiente para alterar
projeções da safra do Brasil, que pode atingir um recorde acima
das 114 milhões de 2016/17, segundo alguns consultores. A
situação é diferente da vizinha Argentina, onde as projeções de
safra estão sendo reduzidas em função da severa seca.

"Está chovendo bastante em algumas regiões e isso deixa a
soja muito úmida, o que acarreta em descontos na trading e até
perdas nas áreas não colhidas", disse o superintendente do
Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel
Latorraca.
"Na verdade, quando temos atraso no plantio e uma
concentração de chuvas em fevereiro, ficamos muito propensos a
essas situações", acrescentou ele, sobre as lavouras do
principal Estado produtor de soja do país.
Quando o produtor não possui armazém próprio e tem de levar
a soja diretamente para as instalações de alguma trading, o
preço recebido geralmente sofre um desconto quando a umidade é
superior a 15 por cento.
Os Estados do Centro-Oeste, que respondem por cerca de 45
por cento da safra brasileira estimada em mais de 111 milhões de
toneladas pelo governo, deverão receber mais 200 milímetros de
chuvas entre esta quinta-feira e o dia 2 de março.
Segundo dados do terminal Eikon, da Thomson Reuters, esse é
o caso de algumas áreas como leste, noroeste, sul de Goiás e
leste de Mato Grosso do Sul, enquanto norte, nordeste, sudeste
de Mato Grosso também receberão volumes próximos de 190 mm.
O leste e o noroeste de Goiás, quarto Estado produtor de
soja do país, receberão mais que o dobro da chuva que
normalmente ocorre nas regiões na segunda quinzena de fevereiro,
o mesmo acontecendo com o Mato Grosso do Sul, quinto produtor
nacional. Mato Grosso verá chuvas 40 por cento mais volumosas do
que o normal, no nordeste e sudeste.
"Portanto, com a consolidação de chuvas neste mês, devemos
começar, cada vez mais, relatar problemas na colheita, que, como
falei, vai desde desconto na classificação até abandono de
área", ressaltou Latorraca, dizendo que é impossível quantificar
os problemas neste momento.
A colheita de soja em Mato Grosso puxou na última semana os
trabalhos no Brasil, que avançaram para cerca de 10 por cento da
área total, segundo a consultoria AgRural, que apontou um atraso
de dois pontos percentuais ante a média de cinco
anos.
A colheita de soja em Mato Grosso, que deve superar 30
milhões de toneladas, avançou na última semana, atingindo quase
30 por cento da área, um atraso de mais de 15 pontos ante a
safra passada, segundo o Imea, órgão ligado aos produtores.

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OUTROS ESTADOS
Goiás, que também está com o atraso, colheu cerca de 10 por
cento da área de soja, de acordo com o analista técnico
Cristiano Palavro, do Instituto para o Fortalecimento da
Agropecuária de Goiás (Ifag), também ligado à federação da
agricultura.
"Essas chuvas, principalmente na próxima semana, podem
trazer algumas complicações para a nossa colheita. Isso pode
impactar a qualidade e até o potencial produtivo, mas vai
impactar principalmente a janela de plantio de milho safrinha",
disse Palavro, lembrando que o cereal é plantado após a soja.
Ainda que alguns especialistas alertem que as chuvas poderão
atrasar ainda mais o plantio de milho segunda safra, Palavro
destacou que as precipitações também podem ajudar no
desenvolvimento das lavouras, até porque previsões climáticas
mais estendidas apontam tempo mais seco em março e abril.
"Essas chuvas, mesmo na forma de pancadas, poderão afetar a
qualidade dos grãos (de soja), uma vez que não haverá períodos
longos de sol, para enxugar bem os grãos. E possivelmente
atrasar ainda mais o plantio do milho segunda safra", disse o
agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos, que
vê a safra brasileira da oleaginosa entre 114,5 milhões e 116
milhões de toneladas.
Questionado se a previsão de tempo seco no Rio Grande do Sul
nos próximos 15 dias poderia ser prejudicial à safra, Santos
lembrou que o terceiro produtor nacional recebeu boas chuvas e
pode suportar um período de seca sem grandes problemas.
Já o Paraná, segundo produtor nacional de soja que ainda
registra atraso na colheita, também verá chuvas acima da média
em fevereiro, um potencial problema para os agricultores.

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Mapas com dados climáticos http://amers2.apps.cp.thomsonreuters.com/cms/?pageid=awd-br-forecast-analysis-maps-gfsop-degc&hour=6&date=20180215
Informações de previsões climáticas http://amers2.apps.cp.thomsonreuters.com/cms/?pageid=awd-br-centralwest-gfsop-degc&hour=12&date=20180215
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(Edição de José Roberto Gomes)
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