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Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 16 Abr (Reuters) – A elétrica mineira Cemig
quer comprar a produção futura de usinas eólicas e
solares por meio de um leilão em formato inédito, que oferecerá
aos empreendedores contratos para a venda da geração por um
período de 20 anos a partir de 2022, disse à Reuters um
executivo da companhia nesta segunda-feira.
O movimento visa ampliar o volume de energia da empresa para
atender clientes no mercado livre de eletricidade, após o
vencimento de concessões de quatro grandes hidrelétricas da
estatal no final do ano passado e com o fim de alguns de seus
contratos de compra de eletricidade nos próximos anos.
No chamado mercado livre, geradores e comercializadoras de
energia negociam contratos entre si ou diretamente com grandes
clientes, como indústrias e shoppings centers.
"Para construir uma usina, eu teria que fazer um
investimento grande agora para ter energia disponível em 2022.
Agora, se compro energia para revenda, já não preciso fazer
desembolso agora, só lá na frente, e isso permite à gente manter
nossa participação no mercado livre. E, dependendo do resultado
do leilão, até ampliar", disse o superintendente de Compra e
Venda de Energia no Atacado da Cemig, Marcos Aurélio Junior.
Agendado para 16 de maio, o leilão da Cemig terá regras
parecidas com licitações promovidas pelo governo para viabilizar
novos empreendimentos de geração, nas quais as compradoras da
produção das usinas são o conjunto das distribuidoras de
eletricidade do país.
"A gente procurou fazer algo bem parecido porque sabemos que
o contrato do governo é um contrato que o empreendedor gosta…
é um contrato longo, que dá o conforto necessário para o
investidor recuperar seus investimentos. Porque o mercado livre,
em geral, tem essa característica de que os contratos não são
longos", explicou o executivo.
Ele disse que a Cemig não divulgará quanto em energia
pretende comprar no leilão, o que também dependerá dos preços
oferecidos pelos vendedores.
A tarifa máxima a ser praticada pelos projetos será
divulgada pela empresa no dia da concorrência, apenas para os
competidores habilitados.
Nos leilões do governo, os custos dos novos projetos de
usinas eólicas e solares têm alcançado valores cada vez menores.
O último certame, o chamado "A-4", em abril, contratou cerca de
800 megawatts em empreendimentos aos menores preços já vistos.

"Posso garantir, até pela publicidade que estamos dando a
esse processo, que não será uma coisa pequena. Mas também vai
depender… se os preços vierem no patamar do último A-4 pode,
sim, ser um volume expressivo", disse Aurélio, ao ser
questionado sobre o montante a ser negociado no leilão.
"Um leilão desse tipo no mercado livre é uma coisa até
inédita… claro que isso é uma estratégia de comercialização da
Cemig, mas também ajuda na expansão do sistema para atender ao
crescimento do mercado livre, e com duas fontes que estão se
mostrando bastante competitivas", adicionou o superintendente.
Ele disse que a Cemig possui uma participação de cerca de 20
por cento no mercado livre de eletricidade.

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REGRAS
Poderão participar do leilão da Cemig apenas projetos
eólicos e solares que chegaram a ser habilitados pelo governo a
participar do último leilão A-4, realizado no início do mês.
A Cemig poderá comprar até 100 por cento da energia dos
empreendimentos, de acordo com o perfil de produção das usinas,
em contratos de 20 anos com início em janeiro de 2022 e correção
pela inflação (IPCA).
Eventuais antecipações dos projetos poderão ser negociadas
entre as partes, e mesmo usinas que venderam parte da produção
no leilão A-4 poderão entrar na concorrência.
"Quem vendeu, mas não comprometeu toda energia da usina com
o leilão do governo, pode participar também… se ele já vendeu
no leilão, ou quiser vender para outro comprador, a gente dá
essa flexibilidade. Não necessariamente tem que vender tudo para
a Cemig", afirmou Aurélio.
Para se proteger contra eventuais riscos de os projetos que
venderam energia não serem viabilizados, o leilão terá uma regra
que obriga os investidores a entregar em determinado prazo uma
série de documentos que atestem a viabilidade dos projetos e o
andamento de sua execução.
Além disso, será pedido um aporte de garantias junto aos
participantes, que poderão ser executadas pela Cemig em caso de
problemas nos empreendimentos.

(Por Luciano Costa; edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
Reuters Messaging: [email protected]
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