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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 11 Mai (Reuters) – Os Estados Unidos deverão ter
neste ano uma safra de soja menor que a do Brasil, marcando a
primeira vez em que os brasileiros aparecerão no topo da
produção global da oleaginosa, uma posição de liderança que
tende a se ampliar nos próximos anos, afirmou a associação da
indústria Abiove nesta sexta-feira.
A produção dos EUA deverá atingir 116,48 milhões de
toneladas de soja neste ano (ano-safra 2018/19), segundo o
Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), que estima a
produção do Brasil em 2018 (já colhida) em 117 milhões de
toneladas. WASDE22
"Se olhar o que está acontecendo, a gente tem crescido em
área plantada entre 500 mil a 700 mil hectares por ano, numa
tendência dos últimos cinco anos, coisa que os americanos não
conseguem fazer. Eles expandem e voltam, porque fica a
competição entre a soja e o milho", comentou o presidente da
Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove),
André Nassar, em entrevista à Reuters.
Numa área plantada maior, os Estados Unidos produziram um
recorde de 119,5 milhões de toneladas em 2017/18 (ano calendário
2017), este um volume de produção que está ameaçado pela recente
colheita recorde brasileira, segundo consultorias privadas.
Na safra que os EUA vão plantar e colher neste ano, a
expectativa do USDA é de que a área colhida de soja caia 1,45
por cento na comparação anual, para 88,2 milhões de acres (35,7
milhões de hectares), enquanto no ciclo já colhido no Brasil a
área atingiu cerca de 35 milhões de hectares, segundo o governo.
O Brasil, já há alguns anos o maior exportador global de
soja, deverá colher 117 milhões de toneladas na próxima
temporada, com plantio a partir de setembro, segundo estimativa
divulgada na véspera pelo USDA –número modesto perto do
potencial de crescimento avaliado pela Abiove e considerando
condições climáticas normais.
A Abiove, aliás, avalia que faz mais sentido comparar a
safra já colhida pelo Brasil este ano com a que os EUA vão
colher em 2018.
"O americano já está no limite dele máximo (de área), ele
pode ter uma safra melhor pelo clima bom, mas estruturalmente
ele já chegou naquilo que cabe (na área para colher)",
acrescentou Nassar, ressaltando que no Brasil a disponibilidade
de terras agricultáveis é maior.
O Brasil pode expandir o plantio mais facilmente, ressaltou
o presidente da Abiove, porque tem um grande estoque de áreas
abertas para pastagens no passado, que hoje podem ser utilizadas
para o plantio de soja, de forma mais rentável pelo produtor
rural, sem gerar preocupações ambientais por desmatamentos.
"Enquanto tiver esse estoque de terras, esse crescimento vai
acontecer, então estamos falando de 500 mil hectares no mínimo
todo ano, o que representa 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas a
mais todo ano, no mínimo, e os EUA não tem essa capacidade."
Nassar comentou que cerca de 90 por cento da área nova de
soja se dá em pastagens convertidas em campos agrícolas.
"Em qualquer condição de mercado a gente vai ter um
crescimento de área", destacou ele, lembrando que o setor de
soja tem sido impulsionado recentemente por melhores condições
logísticas, pelos novos canais de escoamento da exportação pelo
Norte, pela expansão da segunda safra de milho, que eleva a
rentabilidade do produtor, e mais recentemente pelo câmbio.
Isso deve manter forte um setor que lidera a pauta de
exportação do Brasil, com divisas recordes previstas para este
ano de 36,5 bilhões de dólares (considerando embarques do grão,
farelo e óleo), segundo a Abiove. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1SI175
Enquanto isso, os EUA estão às voltas com uma disputa
comercial com a China, principal importador de soja, que ameaça
colocar uma tarifa de 25 por cento para o produto
norte-americano, que também é visto como um limitador para a
expansão.

VANTAGEM?
O sócio-analista da Agroconsult Douglas Nakazone avalia a
mudança no ranking global de produção de soja como algo menos
importante. Ele vê inclusive alguma desvantagem nesse movimento.
"Não muda nada. Afinal, o Brasil já é o exportador mundial
há muitos anos. E, nos últimos anos, com larga vantagem sobre os
EUA… Isso sim representou uma mudança importante na estrutura
de mercado, pois o Brasil passou a ser formador de preços",
declarou ele.
Mas a mudança no ranking de produção, completou o analista,
"não é necessariamente boa, pois significa, por exemplo, que
variações cambiais no Brasil passam a influenciar com maior
intensidade os preços em Chicago (bolsa de referência global)".
Ele explicou que desvalorizações do real frente ao dólar
costumam representar alta nas cotações no mercado interno e,
consequentemente, melhora nos níveis de rentabilidade dos
produtores brasileiros.
Mas, na medida em que o Brasil passa a ter mais peso na
formação dos preços internacionais, as variações cambiais
poderiam pressionar as cotações em Chicago, amenizando aquele
efeito positivo, já que em princípio também estimulariam o
escoamento de mais produto ao mercado global.
"Veja os exemplos dos mercados de café e açúcar, em que o
Brasil domina as exportações mundiais."

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(Por Roberto Samora; edição de José Roberto Gomes)
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