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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 14 Mar (Reuters) – O BNDES BNDES.UL deve
decidir até o fim da próxima semana se apoia a proposta da
Suzano SUZB3.SA para fusão com a Fibria FIBR3.SA ou a oferta
de aquisição da Fibria pela Paper Excellence, do grupo asiático
APP, disseram fontes do banco de fomento nesta quarta-feira.
Uma reunião da diretoria do BNDES, que tem participação de
29,1 por cento na Fibria, está marcada para semana que vem e o
assunto em pauta são as ofertas sobre o futuro da maior
fabricante de celulose de eucalipto do mundo, que tem ainda como
sócio controlador o grupo Votorantim.
"Isso está na pauta diária e já esta programado para a
próxima reunião. O que dá para dizer é que a solução será em
breve; quem sabe na semana que vem", acrescentou uma das fontes.
Procurado pela Reuters, o BNDES não comentou o assunto.
Dentro do BNDES, há diferentes correntes sobre o futuro do
investimento do banco na Fibria.
Uma segunda fonte disse à Reuters que a possibilidade da
fusão entre Suzano e Fibria criar um grande grupo nacional
global está sendo considerada. "O ideal seria manter o capital
nacional", disse a fonte. "Não se trata de se falar em campeã
nacional, mas sim de garantir empregos e investimentos",
acrescentou.
Uma terceira fonte afirmou que as discussões do BNDES sobre
o futuro da Fibria pareciam rumar para um acordo com a Suzano,
até que a Paper Excellence apareceu com um "caminhão de
dinheiro".
A holandesa Paper Excellence apresentou uma oferta formal de
compra da Fibria, avaliando a companhia brasileira em 40 bilhões
de reais, um prêmio de 10 por cento sobre o fechamento da ação
da empresa.
A proposta da Suzano envolve uma fusão que oferece dinheiro
apenas aos acionistas do grupo controlador. A companhia
resultante teria ativos da Fibria e da Suzano e alguns
acionistas teriam a opção de sair de suas participações e
receber em dinheiro. urn:newsml:reuters.com:*:nL1N1QU23A
Antes de fazer a oferta pela Fibria, que tem capacidade para
produzir cerca de 7 milhões de toneladas de celulose de
eucalipto por ano, a Paper Excellence fechou acordo para comprar
a rival Eldorado Brasil, que pode produzir cerca de 2 milhões de
toneladas anuais do insumo necessário para a produção de papel.
A Suzano tem cerca de 4 milhões de toneladas de capacidade de
produção de celulose no Brasil, produzindo também papel de
imprimir e escrever e sanitários.
Além da Fibria, o BNDES tem participação de cerca de 7 por
cento na Suzano.
"Acredito que o BNDES vai exigir mais do que apenas
dinheiro. Vai querer ver o planejamento da empresa e a visão do
comprador para o desenvolvimento futuro da Fibria. Essa é uma
preocupação do banco", ressaltou a terceira fonte, também
familiarizada com o assunto.
Nesta quarta-feira, o BNDES divulgou um lucro líquido de
6,18 bilhões de reais em 2017, em desempenho influenciado pelo
resultado de participações societárias, que cresceu 249,5 por
cento.
"A decisão está praticamente concluída e não demora para
sair", afirmou uma quarta fonte do banco.
Apesar de existirem especulações sobre os acionistas da
Fibria estarem demandando ofertas maiores, duas outras fontes
com conhecimento do assunto disseram que as propostas entregues
por Paper Excellence e Suzano não foram rejeitadas pelo BNDES e
pelo grupo Votorantim. As propostas continuam em análise, de
acordo com essas fontes.

(Com reportagem adicional de Carolina Mandi e Tatiana Bautzer,
em São Paulo
Edição Alberto Alerigi Jr. e Maria Pia Palermo)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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