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Por Aluisio Alves e Guillermo Parra-Bernal
SÃO PAULO, 13 Set (Reuters) – Os grandes bancos brasileiros
estão com níveis adequados de capital, mesmo após terem reduzido
fortemente a oferta de crédito nos últimos anos para se
protegerem dos efeitos da recessão no país, disse nesta
quarta-feira o chefe de análise de instituições financeiras da
agência Fitch para América Latina, Alejandro Garcia.
"Os bancos brasileiros não estão excessivamente
capitalizados, seus níveis de capital são apropriados", disse o
executivo durante entrevista nos escritórios da Reuters.
Com exceção do estatal Caixa Econômica Federal CEF.UL , a
carteira dos maiores bancos de varejo no país tem estagnado ou
recuado nos últimos dois anos, uma vez que essas instituições
têm preferido controlar as perdas com calotes, que levou a
crescentes perdas com provisões.
Além disso, com a preparação para regras mais rigorosas de
alocação de capital previstas em Basileia III, que entram em
vigor no país integralmente em 2019, os bancos têm fortalecido a
prática de manter níveis de capital acima dos exigidos pelo
Banco Central.
No fim de junho, o índice de Basileia do Itaú Unibanco
ITUB4.SA era de 18,4 por cento, enquanto o do Bradesco
BBDC4.SA estava em 16,7 por cento, pouco acima dos 16,5 por
cento do Santander Brasil SANB11.SA . O Banco do Brasil
BBAS3.SA , por sua vez, tinha índice 18 por cento. O mínimo
requerido pelo Banco Central é 11 por cento.
Para Garcia, os bancos fazem bem em deter volumes adicionais
de capital, tanto pela preparação para as regras de Basileia III
quanto pelo cenário econômico do país ainda desafiador.
No caso da Caixa, o índice mais recente divulgado era de
13,6 por cento no fim do primeiro trimestre. O banco desacelerou
o crédito, mas por ter sido mais ativo nas concessões nos anos
em que o país estava em recessão pode também ter mais
dificuldades para manter níveis maiores de capitalização.
"Pelas regras atuais a Caixa ficaria bem, mas com Basileia
III crescem as chances de o banco ter que receber uma
capitalização", disse Garcia.
A exemplo do que fez o BB, a Caixa vem cortando custos e
pessoal, cobrando mais tarifas e inadimplentes, num esforço para
melhorar os resultados orgânicos que lhe permitam reforçar o
capital. Além disso, o banco deve ter uma receita extra no final
do ano com a venda da Lotex, seu braço de loterias instantâneas.

BNDES
De acordo com Garcia, a queda contínua no volume de
desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), mesmo com sinais de retomada da economia reflete
a baixa demanda de recursos por investimentos, mais do que a
mudança na principal taxa usada pelo banco para empréstimos.
Na semana passada o Congresso Nacional aprovou a troca da
Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), subsidiada, pela Taxa de
Longo Prazo (TLP), mas referenciada em preços mercado, a partir
de 2018. A mudança tem recebido críticas de setores da
indústria.
No ano até julho, os desembolsos do banco de fomento
recuaram 17 por cento contra mesma etapa de 2016. urn:newsml:reuters.com:*:nL2N1L11QY
"O BNDES vai passar por uma transição difícil, porque não
vai mais ser uma máquina de queimar dinheiro", disse Garcia.
"Mas a queda nos desembolsos reflete o cenário econômico."
Segundo Garcia, o BNDES tem condições de atender a demanda
por crédito ao mesmo tempo que devolve recursos recebidos em
capitalização à União. No início do mês, o ministro da Fazenda,
Henrique Meirelles, afirmou que o ministério negocia com o BNDES
antecipar devolução de 130 bilhões de reais em 2018.
urn:newsml:reuters.com:*:nL2N1LM1E4

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(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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