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(Texto atualizado com mais informações e declarações)
Por Rodrigo Viga Gaier e Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 13 Nov (Reuters) – A Petrobras
informou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de 266
milhões de reais no terceiro trimestre, abaixo da expectativa
bilionária do mercado, em meio a eventos não recorrentes, como
contingências judiciais e adesão a programas de regularização
tributária, além de queda nas vendas de combustíveis.
O resultado, entretanto, reverteu um prejuízo de 16,458
bilhões de reais no mesmo período do ano passado, que havia sido
amplamente impactado por baixas contábeis, dentre outras
questões, informou a petroleira estatal.
O consenso do mercado apontava para um lucro de 3,2 bilhões
de reais entre julho e setembro deste ano.
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação
(Ebitda) ajustado somou 19,223 bilhões de reais no terceiro
trimestre, ante 22,262 bilhões de reais no mesmo período do ano
passado.
"O resultado foi inferior ao que esperava o mercado, mas
isso se deveu a itens extraordinários, que totalizam cerca de 2
bilhões de reais, e eles reduziram o resultado nesse trimestre
para números da ordem de 300 milhões de reais, ainda positivo",
afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a jornalistas.
Parente voltou a afirmar que gostaria de voltar a pagar
dividendos o quanto antes e que isso será possível caso o
resultado acumulado de 2017 seja positivo. Entretanto, evitou
fazer qualquer projeção de expectativa.
No acumulado do ano até setembro, a Petrobras somou lucro
líquido de 5,031 bilhões de reais, ante prejuízo líquido de
17,334 bilhões de reais no mesmo período de 2016. Para Parente,
a mudança de cenário da empresa, "sem dúvida, se deve
comemorar".
No encontro com jornalistas, o diretor financeiro da
Petrobras, Ivan Monteiro, explicou que dos 2 bilhões de reais,
em itens extraordinários no terceiro trimestre, aproximadamente
900 milhões foram do chamado Refis, programa de refinanciamento
de débitos tributários da União.
Em seu balanço financeiro, a Petrobras informou "outras
despesas operacionais" de 4,5 bilhões de reais, com maior
provisão para perdas e contingências com processos judiciais,
que somaram 1,64 bilhão de reais.
A empresa reportou ainda despesas gerais e administrativas
de 2,45 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 10 por
cento ante o segundo trimestre, basicamente por maiores gastos
com serviços de terceiros.
A receita de vendas da Petrobras no terceiro trimestre somou
71,822 bilhões de reais, ante 70,443 bilhões no mesmo período do
ano passado.
Ao enfrentar aumento da concorrência no mercado de
combustíveis, com crescente aumento de importações por outras
companhias, o volume de derivados no mercado interno da
Petrobras somou 1,886 milhão de barris ao dia, queda de 5,2 por
cento na comparação com o mesmo período do ano passado.
O executivo atribuiu ao aumento de tributos a alta nos
preços dos derivados mensuradas nos últimos meses no mercado
interno.

MENORES DÍVIDAS
Entre julho e setembro, a Petrobras também apontou redução
do seu endividamento, o maior para uma petroleira no mundo, e
apresentou seu décimo trimestre consecutivo de fluxo de caixa
livre positivo, com 14,7 bilhões de reais, no terceiro
trimestre.
A dívida líquida da empresa somou 279,237 milhões de reais
ao final do terceiro trimestre, ante 314,120 milhões de reais no
fim de 2016.
Com isso, o índice dívida líquida sobre Ebitda ajustado caiu
para 3,16 vezes, ante 3,54 no fim do ano passado e 3,93 vezes no
terceiro trimestre de 2016.
Entre o final do ano passado e o terceiro trimestre deste
ano, a alavancagem reduziu de 55 para 51 por cento.
Monteiro destacou a gestão da dívida da empresa, que buscou
um alongamento e possibilitou o aumento do prazo médio do
vencimento de 7,46 anos, no fim de 2016, para 8,36 anos, no fim
do terceiro trimestre.
Monteiro reiterou que, para lidar com a grande dívida, a
Petrobras mantém a meta de levantar 21 bilhões de dólares no
biênio 2017-2018, com venda de ativos e atração de parcerias.
Dos 13,6 bilhões de dólares de desinvestimentos no biênio
anterior 2015-2016, 7,8 bilhões de dólares já entraram no caixa
da empresa, segundo o diretor.

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REDUÇÃO DE CAPEX
Para o ano, a empresa reduziu nesta segunda-feira em 6 por
cento a previsão de investimentos, para 16 bilhões de dólares,
sem impactos na meta de produção de petróleo no Brasil, de 2,07
milhões de barris.
Dentre os motivos, estão a postergação de alguns projetos,
redução de tarifas de embarcações de apoio e maior eficiência
das atividades de revitalização de plataformas.
Os projetos a serem postergados são atividades de construção
de plataformas de produção de petróleo, do Gasoduto Rota 3 (que
vai escoar a produção do pré-sal para o Comperj) e ajustes no
cronograma de Tartaruga Verde.
Em 2018, o diretor de Desenvolvimento da Produção e
Tecnologia, Roberto Moro, prevê a contratação de três novas
plataformas: Búzios, Marlim e Parque das Baleias.

(Por Rodrigo Viga Gaier, Marta Nogueira e Roberto Samora;
edição de Roberto Samora)
(([email protected]; +55 21 2223 7104; Reuters
Messaging: [email protected]))


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