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(Texto atualizado com mais informações)
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 15 Fev (Reuters) – O Banco Central indicou que a
piora no cenário internacional e a retomada mais consistente da
atividade são fatores que contribuem para o fim deste ciclo de
queda da taxa básica de juros.
"A evolução da conjuntura em linha com o cenário básico do
Copom, a recuperação mais consistente da economia e uma piora no
cenário internacional favoreceriam a interrupção do processo de
flexibilização", mostrou a ata do Comitê de Política Monetária
(Copom) divulgada nesta quinta-feira, em trecho sobre a
discussão dos membros do comitê sobre os próximos passos.
Na semana passada, o BC desacelerou o passo e cortou a Selic
em 0,25 ponto percentual, à nova mínima recorde de 6,75 por
cento ao ano, e sinalizou o fim do ciclo de afrouxamento na
Selic devido à melhor recuperação da atividade econômica no
país.
O BC avaliou que a evolução da economia global tem sido
favorável, mas apontou que a trajetória prospectiva da inflação
de preços e salários em economias centrais pode tornar o
processo de normalização da política monetária nesses países
"mais volátil e produzir algum aperto das condições financeiras
globais".
"(A ata) foi mais na linha da pausa (do corte nos juros) e
achei que ele explicou melhor que não impede algum corte
residual", afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina
Latif, acrescentando que deve mudar seu cenário para manutenção
da Selic em março, ante corte de 0,25 ponto previsto antes.
O BC também mostrou que os membros do Copom divergiram sobre
qual comunicação deveria ser adotada para a próxima reunião, em
março. Enquanto alguns manifestaram preferência por manter
"elevado grau de liberdade", outros defenderam sinalizar de modo
mais claro o possível fim do ciclo de afrouxamento na Selic, com
liberdade de ação mantida, mas em menor grau.
A conclusão de todos, no fim, foi por indicar o encerramento
do ciclo "caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico",
mas mantendo espaço para queda "moderada" adicional nos juros
caso haja alteração nesse quadro.
Se de um lado o Brasil conta com capacidade para absorver
eventual revés no cenário externo, de outro os membros do Copom
voltaram a ponderar sobre o risco que isso representaria num
contexto de frustração das reformas e ajustes na economia
brasileira.
Os mercados mundo afora têm reagido com volatilidade aos
sinais de fortalecimento da economia dos Estados Unidos. O temor
é de que o Federal Reserve, banco central do país, poderá ser
mais duro ao elevar a taxa de juros para enfrentar as pressões
inflacionárias.
O movimento tornaria os títulos dos Estados Unidos mais
atrativos, potencialmente atraindo recursos atualmente aplicados
em outras praças financeiras, como a brasileira.
Diante desse quadro e dos sinais dados pelo BC no comunicado
de sua decisão, o mercado já havia consolidado apostas de que os
juros básicos ficarão inalterados em março. O grupo de
economistas que mais acerta as projeções na pesquisa Focus, o
Top 5, também passou a adotar essa visão, ante expectativa de
nova redução de 0,25 ponto na Selic.
Na ata, o BC também repetiu que a porta não está totalmente
fechada para nova redução da Selic no próximo mês. Uma investida
nesse sentido, contudo, dependerá de mudanças na evolução do
cenário básico e do balanço de riscos.
Nesse sentido, o BC foi mais explícito ao apontar quais
fatores pavimentariam o caminho para mais uma tesourada nos
juros.
"De um lado, a continuidade do ambiente com inflação
subjacente em níveis confortáveis ou baixos, com intensificação
do risco de sua propagação, abriria espaço para essa
flexibilização adicional", informou.
"O mesmo ocorreria no caso de alterações no balanço de
riscos que resultem em menor probabilidade de aumento de prêmios
de risco e consequente elevação da trajetória prospectiva da
inflação", completou o BC, numa provável referência à aprovação
da reforma da Previdência.
Na leitura de parte dos agentes econômicos, apenas a votação
da reforma da Previdência poderia levar a mais um corte da Selic
em março. Mas essa possibilidade tem sido encarada com
ceticismo, já que o próprio governo admite não possuir apoio
suficiente para garantir a vitória da matéria na Câmara dos
Deputados, onde será votada até o fim deste mês.

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 5561-3426-7021; Reuters
Messaging: [email protected]))

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