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(Texto atualizado com declarações e mais informações)
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 1 Jun (Reuters) – O presidente-executivo da
Petrobras , Pedro Parente, pediu demissão na manhã
desta sexta-feira, em meio a discussões sobre a política de
preços da petroleira estatal iniciadas após uma greve de
caminhoneiros contra a alta do diesel.
A saída, que vem após diversas negativas da Petrobras de que
o executivo fosse deixar o cargo, surpreendeu o mercado e levou
a bolsa paulista B3 a suspender a negociação de ações da estatal
no início do pregão. Após a liberação, os papéis preferenciais
caíam 17,4 por cento às 13h.
Em sua carta de demissão, dirigida ao presidente Michel
Temer, Parente disse que movimentos na cotação do petróleo e no
câmbio elevaram os preços de derivados, "magnificaram as
distorções de tributação no setor" e levaram o governo a buscar
alternativas, com a decisão de subsidiar o consumo de diesel.
"Tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu. Está
claro, sr. presidente, que novas discussões serão necessárias.
E, diante deste quadro fica claro que a minha permanência na
presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir
para a construção das alternativas que o governo tem pela
frente", escreveu Parente.
"Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei
um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas",
acrescentou.
Uma fonte da estatal, que pediu para não ser identificada,
se disse surpresa com a renúnica de Parente.
"Talvez, alguma coisa que ele tenha dito, que era
absolutamente fundamental, não tenha sido possível. E ele sempre
falou que enquanto havia liberdade, independência, e a direção
correta, ele ficaria", disse a fonte à Reuters.
"Agora o momento político foi realmente muito grave, essa
situação toda, o país parou. Pode ser que ele esteja avaliando
que isso seja um ato também de grandeza para facilitar que as
coisas continuem a avançar", acrescentou a fonte.
A Petrobras informou que a nomeação de um presidente
interino será examinada pelo Conselho de Administração ainda
nesta sexta-feira e que a composição dos demais membros da
diretoria executiva da companhia não sofrerá qualquer alteração.
A fonte ouvida pela Reuters disse que a o conselho irá se reunir
às 16h.
A renúncia de Parente ocorre diante de uma forte pressão
sofrida com a paralisação de caminhoneiros contra os valores do
diesel, que provocou um desabastecimento generalizado e afetou
diversos setores da economia.
Diante da greve, que o governo disse na quinta-feira ter
chegado ao fim após acordo com a categoria, a Petrobras
concordou em reduzir a frequência dos reajustes do combustível
por um determinado período, contando que a União pague pelos
prejuízos causados à empresa.
Em um vídeo disseminado nas redes sociais por executivos da
companhia nesta semana, Parente defendeu a frequência diária de
reajustes dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, dizendo
que a medida era fundamental para que a empresa defendesse sua
participação de mercado no Brasil.
A política de preços da Petrobras vinha sendo alvo de
ataques de políticos e de sindicatos de trabalhadores da
companhia.
Os petroleiros chegaram a realizar uma greve na quarta e
quinta-feira contra as práticas de preços da Petrobras e contra
a continuidade da gestão de Parente.
Nesta sexta-feira, o coordenador-geral da Federação Única
dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, comemorou a saída do
presidente da Petrobras como uma "vitória" da categoria e dos
caminhoneiros.
"Pedro Parente, vaza!"…"Tchau, querido!", escreveu o
sindicato em mensagens nas redes sociais.
Já a reação do mercado e de investidores é bem distinta, uma
vez que Parente era amplamente visto como um executivo que vinha
obtendo sucesso na recuperação da companhia após anos de perdas
associadas a controle de preços e corrupção.
"O mercado, em geral, não acha a mínima graça. Desta vez o
nível de preocupação é maior… como efeito indireto, o mau
humor (do mercado em relação ao governo) vai dar uma piorada",
disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima
Gonçalves.
Na carta de demissão, Parente disse ainda que não sofreu
interferências políticas em seu período no comando da Petrobras
e sugere que o presidente Temer deve se apoiar em regras
corporativas da companhia e na contribuição do Conselho de
Administração para nomear um novo presidente para a companhia.

(Por Marta Nogueira; reportagem adicional de Iuri Dantas
Edição de Raquel Stenzel e Alexandre Caverni)
(([email protected]; +55 11 56447719; Reuters
Messaging: [email protected]))

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