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(Texto reescrito com mais informações e contexto)
SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) – Com uma drástica redução na
produção de açúcar, o Brasil poderá produzir um volume recorde
de etanol apesar de uma queda de plantio de cana na temporada
2018/19 que impactará o volume processado da matéria-prima,
indicou nesta quinta-feira a Job Economia e Planejamento.
"O volume de álcool produzido neste ano no Brasil deverá
praticamente repetir os 30 bilhões de 2015/16 (o recorde
anterior). Trata-se de um recorde desde a década 1970, quando
começou o Proálcool", afirmou à Reuters o sócio-diretor da
consultoria, Julio Maria Borges.
Segundo ele, dependendo da demanda na safra que começou a
ser processada no centro-sul recentemente, o país poderia
produzir mais do que 30 bilhões de litros, o que seria uma boa
notícia para um mercado de combustíveis em recuperação.
O aumento da fabricação de etanol ocorre em momento em que a
produção de açúcar está sendo desestimulada por baixos preços no
mercado internacional , que estão oscilando perto dos
menores níveis em dois anos e meio. Usinas, assim, destinam uma
maior parte da matéria-prima para o biocombustível.
De acordo com a consultoria, a fabricação do adoçante no
centro-sul do Brasil, principal região produtora do maior
exportador global da commodity, deverá recuar para 30 milhões de
toneladas na temporada, contra 36,1 milhões na anterior. Já a de
etanol deve avançar para 28 bilhões de litros, ante 26,09
bilhões em 2017/18.
"A safra nova brasileira… terá forte viés alcooleiro pois
o suporte de preços do etanol, via gasolina/petróleo, será maior
que aquele do açúcar. Estamos repetindo a situação de 2015/16",
comentou Borges.
Quanto à moagem de cana pelas usinas da região, a
expectativa é de que o volume caia para 585 milhões de
toneladas, de 596,3 milhões na temporada anterior, dado o
envelhecimento das plantações e conforme a área disponível para
corte recuou 3,5 por cento ante a temporada anterior, para 7,85
milhões de hectares.
Foi a primeira vez, nos últimos nove anos, que a área
plantada com cana recuou na região, que responde por cerca de 90
por cento da produção nacional, destacou o analista.
Questionado sobre a substituição da cana por outras
culturas, Borges disse não ver "nada sistemático no tocante ao
aproveitamento da área disponível".
"A redução de área está sendo feita por razões econômicas de
redução de custos. Não estão sendo renovadas áreas menos
produtivas, áreas mais distantes das usinas e áreas com
arrendamentos mais caros. Tudo isto vai numa boa direção de
redução de custos e aumento de competitividade", declarou.
No Norte e Nordeste, a redução de área tem ocorrido desde
2012, com uma retração que já soma cerca de 22 por cento no
período de seis anos. Atualmente, a área nessas regiões está em
torno de 900 mil hectares, completou o consultor.

BRASIL
Considerando-se a região Norte-Nordeste, a Job prevê que o
Brasil processará 632 milhões de toneladas de cana neste ano,
ante 643,2 milhões na temporada anterior, resultando em produção
de 32,8 milhões de toneladas de açúcar (-16 por cento) e 29,87
bilhões de litros de etanol (+7 por cento).
"Do lado da demanda, o destaque será o consumo de etanol no
mercado interno, motivado pelo maior consumo de etanol
combustível. O abastecimento do mercado interno em 2018 será
melhor que em 2017, mas ainda muito tímido perante a demanda
potencial", afirmou Borges, acrescentando que em 2018/19 somente
28 por cento da demanda potencial de álcool deve ser atendida.

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EXPORTAÇÃO
Com uma drástica queda na produção de açúcar, a Job estimou
ainda uma importante redução na exportação da commodity pelo
Brasil em 2018/19, para 21,3 milhões de toneladas de açúcar,
ante 27,8 milhões em 2017/18.
"As exportações brasileiras (de açúcar) são previstas de
reduzir em 6,5 milhões de toneladas, o que deve impactar
positivamente os preços do açúcar no mercado externo. As
exportações totais do Brasil devem representar algo como 65 por
cento da produção de açúcar", disse Borges.
Já os embarques de etanol devem ter leve oscilação, passando
de 1,45 bilhão na temporada anterior para 1,50 bilhão de litros
em 2018/19.

(Por José Roberto Gomes e Roberto Samora; Edição de Luciano
Costa)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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