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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

(Texto reescrito e atualizado com mais informações)
Por Aluisio Alves
SÃO PAULO, 30 Jan (Reuters) – O financiamento imobiliário
com recursos da poupança deve voltar a crescer em 2018, apoiado
por juros menores e na recuperação da economia brasileira, após
uma queda acumulada ao redor de 60 por cento nos últimos três
anos, afirmou nesta terça-feira a entidade que representa as
financiadoras de imóveis.
O volume financiado em dezembro com recursos da poupança
(SBPE) caiu 31,6 por cento sobre um ano antes, informou a
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e
Poupança (Abecip). Com isso, o crédito no setor fechou 2017 em
43,15 bilhões de reais, consolidando uma queda de 7,4 por cento
ante 2016.
"Felizmente parece que estamos deixando esse período para
trás", afirmou o presidente da Abecip, Gilberto de Abreu Filho.
Em 2015 e em 2016, o setor registrou quedas de 33 e 38,3 por
cento, respectivamente.
A previsão da Abecip é de que a combinação de juro básico na
mínima histórica, expansão dos volumes da caderneta de poupança
e leve recuperação dos níveis de emprego permitirá ao setor ter
uma alta de 10 por cento do crédito imobiliário pelo Sistema
Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) neste ano.
"Já faz tempo que não temos um conjunto tão favorável de
indicadores para o setor", disse Abreu Filho a jornalistas.
Para financiamentos imobiliários com recursos do FGTS,
majoritariamente operados pela Caixa Econômica Federal, a
previsão da Abecip é de que o volume de desembolsos cresça ao
redor de 19 por cento neste ano. Somando os recursos de FGTS e
SBPE, a expectativa da Abecip é de que o volume concedido neste
ano seja 15 por cento superior ao de 2017.
Em número de unidades, o SBPE financiou a compra de 175,62
mil imóveis em 2017, queda de 12,1 por cento sobre 2016, segundo
a associação.

EFEITO CAIXA
Conforme Abreu Filho, eventuais dificuldades da Caixa
Econômica Federal, maior financiadora de imóveis do país, para
lidar com questões internas de capital, podem comprometer a
previsão da Abecip para o ano.
Na semana passada, o conselho de administração da Caixa
aprovou um plano de capital para assegurar o cumprimento de
requisitos de capital de Basileia III. O plano inclui 100 por
cento de retenção de lucros de 2017 e 2018, além da emissão de
títulos perpétuos e a venda de empréstimos sem garantia.
"Sim, eventuais dificuldades de capital da Caixa podem
prejudicar o ritmo do mercado", disse Abreu Filho.
Na véspera, a agência de classificação de risco Moody's
afirmou em relatório que o índice de capital de nível 1 da Caixa
no terceiro trimestre de 2017 foi de 8,14 por cento pelas regras
de Basileia III, que deve entrar plenamente em vigor no país no
começo de 2019. O índice está pouco acima do piso regulatório de
8 por cento. Na prática, isso impediria o banco de ofertar mais
crédito, a menos que conseguisse elevar o índice.

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Para Abreu Filho, com o banco estatal eventualmente tendo
que diminuir o ritmo de concessões, os demais concorrentes
assumiriam maiores fatias do mercado de financiamento
imobiliário, mas isso poderia não ser o suficiente para
compensar o espaço deixado pela Caixa.

(Por Aluísio Alves; Edição de Gabriela Mello)
(([email protected]; +55 11 56447719; Reuters
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