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(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO, 10 Mai (Reuters) – A Braskem avalia
que já chegou o momento mais propício para iniciar longas
discussões com a Petrobras sobre contrato de
fornecimento de nafta da petrolífera para a petroquímica, que
vence no final de 2020.
"Essa discussão de renegociação do contrato de nafta deve
acontecer a partir de agora, começou o período em que já começa
a fazer sentido…Não pretendo deixar para a última hora", disse
o presidente da Braskem, Fernando Musa, em teleconferência com
jornalistas.
Segundo ele, prazos de cinco anos, como o do atual contrato
acertado em 2015, são "relativamente curtos" para garantir
sustentabilidade da eficiência das operações da Braskem, mas ele
evitou comentar qual prazo a petroquímica vai buscar quando
iniciar as conversas com a Petrobras. "Temos outros contratos
fora do Brasil com duração bastante superior a isso, de 10, 15,
20 anos", afirmou o executivo.
Musa afirmou ainda que após investimentos em suas fábricas a
Braskem "está muito próxima" de atingir um nível em que as
necessidades de insumos da petroquímica podem ser supridas em 50
por cento por outras matérias-primas que não o nafta.
Já sobre o processo de venda de ativos de refino da
Petrobras no Sul e no Nordeste do Brasil, o presidente da
Braskem afirmou que a empresa não pretende liderar nenhum
consórcio que esteja interessado nos desinvestimentos da
estatal.
"Nosso foco é comercial, se formos convidados (a participar
de consórcios), vamos avaliar. O lado importante para nós são
oportunidades de integração operacional", disse Musa,
acrescentando que a venda dos ativos pela estatal deve fomentar
o investimento em refino pelos futuros donos dos ativos "com
possível integração operacional com nossos negócios nas centrais
de Camaçari (BA) e Triunfo (RS)".
A Braskem divulgou na noite da véspera que teve lucro
líquido de 1 bilhão de reais no primeiro trimestre, uma queda de
42 por cento sobre o resultado de um ano antes, afetada por
paradas de fábricas e efeitos nos Estados Unidos.
Apesar do resultado, as ações da Braskem estavam entre as
maiores altas do Ibovespa por volta das 13h, exibindo
alta de 5 por cento, enquanto o índice tinha ganho de 1,9 por
cento.
O presidente da Braskem afirmou que a empresa mantém
perspectivas para este ano em nível relativamente semelhante ao
projetado no final do ano passado para 2018, de crescimento de 4
a 5 por cento no mercado brasileiro de resinas. A estimativa foi
mantida, apesar da empresa ter notado em março e abril que
algumas cadeias consumidoras dos produtos da petroquímica
mostraram resultados "um pouco mais fracos que o esperado".
Questionado sobre o impacto da alta de juros na Argentina
decidida pelo governo na semana passada, Musa afirmou que ainda
é cedo para fazer previsões, mas comentou que o país é
responsável por cerca de 2 por cento da receita total da
Braskem.
"Nossos preços seguem paridade internacional… por enquanto
esse tipo de movimento no curto prazo cria incerteza para os
clientes e é natural que eles fiquem um pouco mais nervosos",
disse Musa, afirmando que a Braskem tem condições de fazer
gestões de estoque para outros destinos caso seja necessário.
A Argentina elevou os juros da economia para 40 por cento na
semana passada e na terça-feira, o presidente do país, Maurício
Macri, afirmou que está buscando um acordo de financiamento com
o Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a recente
volatilidade do mercado que levou à queda do peso.
Sobre a alta do petróleo dos últimos dias, Musa comentou que
"para parte das nossas operações diminui a rentabilidade, mas a
operação de propano em Duque de Caxias (RJ) e no México, ficam
mais competitivas".
Ele acrescentou que os "spreads", diferença entre o preço de
matérias-primas e o cobrado pela Braskem em seus produtos, em
2018 estão abaixo de 2017. Porém, ele ressaltou que a companhia
conseguiu uma geração de caixa forte no primeiro trimestre, "o
que nos dá conforto de implementar estratégia para aumentar
produtividade e confiabilidade e diversificar matérias-primas e
geografias".
A Braskem projeta investimento de 2,9 bilhões de reais em
2018, ante cerca de 2,3 bilhões em 2017, disse o executivo.

(Por Alberto Alerigi Jr., Edição Paula Arend Laier)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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