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(Texto atualizado com mais informações)
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 12 Mar (Reuters) – O diretor-geral da Organização
Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou nesta
segunda-feira, após se reunir com o presidente Michel Temer, que
o governo brasileiro não deve, ao menos por ora, recorrer à
entidade para questionar a decisão do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, de sobretaxar importações de aço e
alumínio.
Segundo Azevêdo, o Brasil busca chegar a uma entendimento
com outras nações para tomar uma decisão coletiva em relação aos
EUA.
"Pelo que pude depreender, o governo brasileiro está em
contato com outros países que podem ser afetados por essas
medidas para estudar quais alternativas seriam mais adequadas
do ponto de vista brasileiro e até coletivo. Eu não sei se há
uma determinação neste momento de recorrer ao mecanismo de
solução de controvérsias da OMC", disse Azevêdo a jornalistas.
Azevêdo afirmou que o governo brasileiro "não exclui" a
possibilidade de pedir a arbitragem da OMC, mas busca outras
alternativas de solução do conflito.
O diretor-geral da OMC afirmou que, no momento, se está no
início das articulações. "Acho que nós estamos em um primeiro
momento da rodada de negociações e espero muito que esse
entendimento frutifique e que nós consigamos evitar uma situação
de quiproquó", disse.
Azevêdo é o sexto diretor-geral da OMC, ele assumiu o posto
em setembro de 2013 para um mandato de quatro anos e foi
reeleito em 2017.

AÇÃO E REAÇÃO
O diplomata disse que uma eventual escalada de retaliações
recíprocas poderia gerar um efeito dominó e que seria difícil de
reverter. "Você sabe quando você começa, como você começa, mas
não sabe nem como, nem quando sai desse processo", completou.
Adotando um tom de cautela, Azevêdo disse que os próprios
norte-americanos estão começando a conversar com outros
parceiros comerciais para determinar a efetividade e extensão da
medida anunciada na semana passada.
O diretor-geral disse ter conversado com Temer, em termos
gerais, sobre como o setor do aço é importante e estratégico
para a economia brasileira e que o mercado norte-americano é
"importantíssimo". O Brasil é o segundo maior exportador de aço
para os EUA. "É evidente que uma medida desse tipo, dessa
natureza, terá um impacto nas exportações e possivelmente em
outros segmentos da economia", avaliou.
Questionado se disputas como essa podem até acabar com as
prerrogativas da OMC e o futuro do organismo, Azevêdo não
respondeu diretamente, mas destacou que acha importante que as
"regras acordadas multilateralmente sejam observadas até para
evitar ações completamente unilaterais".
"A ação unilateral tende a provocar reação de outras partes
e esse processo de ação e reação leva a guerras comerciais que
não são de interesse de ninguém, onde só há perdedores, não há
vencedores", disse. Ele acrescentou que até o momento nenhum
país acionou formalmente a OMC a respeito das tarifas de 25 por
cento para importação de aço e de 10 por cento para importação
de alumínio decididas por Trump na semana passada.
Poucas horas depois, após reunião com o ministro da Fazenda,
Henrique Meirelles, Azevêdo disse que a imposição unilateral de
obstáculos ao comércio reforça, em vez de diminuir, o papel da
Organização Mundial do Comércio.
"A OMC não está enfraquecida, pelo contrário", disse o
diplomata brasileiro. "Quanto mais nós vemos esse tipo de tensão
no cenário comercial internacional, mais forte ela fica, porque
no fundo é o caminho de encontrar soluções."

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(Reportagem adicional de Mateus Maia; Edição Alberto Alerigi
Jr.)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))


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