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(Texto atualizado com mais informações)
Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 1 Dez (Reuters) – A economia
brasileira ficou praticamente estagnada no terceiro trimestre
deste ano, mas os investimentos mostraram o melhor desempenho em
quatro anos, indicação de que a retomada da atividade pode ter
ganhado fôlego depois do mais longo período de recessão
enfrentado pelo país.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil subiu 0,1 por cento
entre julho e setembro passado sobre o segundo trimestre,
terceiro período seguido de expansão. Sobre o terceiro trimestre
de 2016, o PIB cresceu 1,4 por cento, informou nesta sexta-feira
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado trimestral veio abaixo do esperado por analistas
ouvidos em pesquisa da Reuters, que apontava que a economia
cresceria 0,3 por cento entre julho e setembro na comparação com
o trimestre anterior.
No entanto, o IBGE revisou para cima o desempenho do segundo
trimestre na margem para mostrar crescimento de 0,7 por cento,
sobre avanço de 0,2 por cento informado antes.
A pesquisa da Reuters mostrou ainda que, pela mediana das
projeções, a expectativa era de que PIB cresceria 1,3 por cento
sobre o terceiro trimestre de 2016. L1N1NU0US
"O crédito melhorou, os juros caíram, a inflação recuou de
forma significativa. São os vários fatores conjunturais que
ajudaram a economia no período", afirmou a coordenadora de
Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma
medida de investimentos, mostrou expansão de 1,6 por cento no
terceiro trimestre, na margem, melhor resultado desde o segundo
trimestre de 2013 (+3,2 por cento). Na comparação anual, esse
setor mostrou contração de 0,5 por cento.
"Percebemos sinais mais favoráveis que sustentam a avaliação
de recuperação mais consistente. Há indicações de que talvez o
pior tenha ficado para trás em relação aos investimentos",
afirmou o economista do banco Santander Rodolfo Margato,
acrescentando que adotou viés de alta para sua projeção de
expansão de 0,8 por cento para o PIB neste ano.
"Após os dados de hoje, aumentou muito a probabilidade de o
PIB mostrar crescimento de 1 por cento."
Os investimentos haviam secado conforme a economia
brasileira entrou em recessão, a mais profunda em um século. Com
endividamento e capacidade ociosa elevados, os agentes
econômicos evitavam desembolsos produtivos.
Segundo Rebeca, do IBGE, os destaques em investimentos foram
importação de bens de capital e máquinas de equipamento,
sobretudo para a indústria automotiva.
Com os juros básicos caminhando para mínimas históricas,
empresas têm tido mais facilidade para quitar dívidas e
financiar planos de expansão. As concessões de infraestrutura
também devem ter começado a dar frutos no terceiro trimestre.
O IBGE mostrou ainda que o consumo das famílias cresceu 1,2
por cento no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores,
enquanto que o do governo recuou 0,2 por cento, em meio à forte
crise fiscal.
Na mesma comparação, o setor agropecuário recuou 3 por
cento, como o esperado por questões sazonais, mas a indústria e
serviços cresceram 0,8 e 0,6 por cento, respectivamente.
Um dos destaques positivos foi o subsetor de Comércio, com
alta de 1,6 por cento sobre o segundo trimestre, também se
beneficiando dos juros menores e da melhora do mercado de
trabalho.

(Edição de Camila Moreira)
(([email protected]; +55 11 5644-7732; Reuters
Messaging: [email protected]))

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