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(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO, 10 Out (Reuters) – A Moody's terá mais facilidade
para decidir sobre o rating do Brasil se o país não aprovar uma
reforma da Previdência até o início de 2018, disse nesta
terça-feira o responsável por ratings soberanos de América
Latina na Moody's, Mauro Leos.
A Moody's planeja enviar uma missão ao Brasil no primeiro
trimestre do ano que vem para avaliar uma possível ação sobre o
rating brasileiro.
"Se não houver nenhuma reforma nem expectativa de que ela
saia antes de 2019, aí nossa decisão será mais fácil", disse
Leos a jornalistas, sinalizando que neste cenário a expectativa
mais pessimista para o rating brasileiro se consolidaria.
A agência classifica atualmente o país com nota Ba2, com
perspectiva negativa, o que indica que se houver alguma mudança
do rating seria para baixo.
Para o executivo, os fatores mais importantes que pesarão
sobre uma próxima ação de rating da Moody's para o Brasil são
domésticos, especialmente o quadro fiscal.
Neste sentido, mesmo no cenário mais positivo, em que o
governo consiga aprovar uma reforma previdenciária e o ritmo de
crescimento econômico ganhe tração, a Moody's avalia que a
dívida como proporção do PIB, hoje em 75 por cento, só se
estabilizaria a partir de 2020.
Para Leos, os investidores internacionais têm sido bastante
pacientes com o país, o que pode ser visto no fluxo recente de
capital financeiro para a bolsa paulista, cujo principal índice
chegou a atingir nova máxima histórica intradia aos 78 mil
pontos.
"Os investidores estrangeiros desenvolveram um alto nível de
tolerância em relação ao Brasil", disse Leos durante
apresentação a investidores e analistas.
Segundo ele, de fato o país tem apresentado melhoras no
panorama macroeconômico de curto prazo, com queda da inflação e
dos juros e retomada do crescimento econômico.
A continuidade desse cenário mais benigno, aliado à eventual
aprovação da reforma previdenciária, seriam levados em conta no
começo do ano que vem, quando uma equipe da Moody's visitará o
país.
"São cenários possíveis manter a perspectiva negativa ou a
mudança para estável", disse Leos a jornalistas.
No entanto, uma frustração da reforma previdenciária
aceleraria a trajetória de endividamento, que poderia atingir
mais rapidamente o nível de 90 por cento nos próximos anos,
segundo ele.
Para Leos, esse horizonte pode fazer o mercado ajustar
rapidamente suas expectativas, o que teria consequências mais
imediatas sobre o câmbio e o mercado acionário.

(Por Aluísio Alves; Edição de Raquel Stenzel)
(([email protected]onreuters.com; +55 11 56447719; Reuters
Messaging: [email protected]))

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