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(Texto reescrito e atualizado com contexto)
Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 14 Nov (Reuters) – A Raízen, maior grupo
sucroenergético do mundo, decidiu suspender as atividades
industriais de duas usinas no interior de São Paulo, por um
período inicial de dois anos, dada a falta de matéria-prima para
processamento, informou a companhia nesta terça-feira.
Não é a primeira vez que a empresa, uma joint venture entre
Cosan e Shell , toma esse tipo de decisão.
Entre 2015 e 2017, por exemplo, a usina Bom Retiro, em
Capivari (SP), ficou "hibernada" também em razão da pouca oferta
de cana. A unidade só voltou a operar na atual safra 2017/18.
Agora, a suspensão atinge as unidades Dois Córregos, em Dois
Córregos (SP), e Tamoio, em Araraquara (SP).
"A paralisação se dará devido a um cenário de menor
disponibilidade de cana-de-açúcar nestas regiões e otimização
logística e de produção da Raízen", afirmou a companhia em
comunicado.
O centro-sul do Brasil, maior produtor global de açúcar e
etanol de cana, deve fechar a safra 2017/18 com uma quebra
devido a problemas climáticos. E a próxima temporada deverá ser
ainda menor, na avaliação de algumas consultorias, como a
Datagro.
A escassez de cana tem afetado também outros grupos.
Na semana passada, a Biosev, segunda maior processadora de
cana do mundo, informou a suspensão das operações na usina de
Maracaju, em Mato Grosso do Sul, para reduzir
custos.
A informação sobre a suspensão das atividades nas duas
unidades da Raízen foi divulgada um dia após executivos da
empresa detalharem os planos de integração das duas usinas da
Tonon Bioenergia, adquiridas em junho, à operação total da
companhia.
Em teleconferência, o diretor de Relações com Investidores
da Cosan, Guilherme Machado, disse que esse processo, envolvendo
as unidades de Santa Cândida e Paraíso, compradas por 823
milhões de reais, deve ocorrer ao longo da safra 2018/19, que se
inicia em abril.
Conforme a Raízen, a cana destinada às unidades Dois
Córregos e Tamoio será redirecionada a outras unidades da
empresa, "não havendo redução da moagem total do grupo",
prevista para a safra atual em até 63 milhões de toneladas.
"A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da
Raízen não será impactada", frisou a empresa, que não divulga a
capacidade instalada por unidade.
No terceiro trimestre deste ano, equivalente ao segundo da
safra 2017/18, a Raízen acelerou a moagem de cana, atingindo 28
milhões de toneladas. O lucro antes de juros, impostos,
depreciação a amortização (Ebitda) ajustado foi de 1,4 bilhão de
reais para o período, alta de 50 por cento na comparação anual.

(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))

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