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(Texto atualizado com mais informações)
Por Camila Moreira
SÃO PAULO, 23 Nov (Reuters) – Os preços de alimentos
recuaram com força em novembro, fazendo com a prévia da inflação
oficial subisse menos do que o esperado e pavimentando o caminho
para que o Banco Central possa continuar cortando a taxa básica
de juros até o início do próximo ano.
Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,32 por cento, sobre 0,34 por cento no
mês anterior e bem abaixo da perspectiva em pesquisa Reuters com
analistas, de avanço de 0,40 por cento.
Nos 12 meses até novembro, a alta do IPCA-15 foi a 2,77 por
cento, sobre 2,71 por cento até outubro, informou o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
Na pesquisa da Reuters, a previsão era de aumento de 2,84 por
cento, ainda abaixo da meta do governo –de 4,5 por cento pelo
IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
De acordo com o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas
intensificou a deflação a 0,25 por cento em novembro após queda
de 0,15 por cento no mês anterior.
Ficaram mais baratos principalmente o feijão-carioca (-7,03
por cento), açúcar refinado (-4,52 por cento), farinha de
mandioca (-4,25 por cento) e açúcar cristal (-3,81 por cento).
Esse movimento compensou a pressão exercida pela energia
elétrica, item que sozinho respondeu por metade do IPCA-15 de
novembro depois de subir 4,42 por cento.
O aumento da energia elétrica já era esperado devido às
mudanças nas bandeiras tarifárias aprovadas pela Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Junto com a alta de 3,3 por cento do gás de botijão, as
contas de luz levaram o grupo Habitação a acelerar o avanço a
1,33 por cento, ante 0,66 por cento em outubro.
Após reduzir a Selic a 7,5 por cento, o BC já deixou claro
que continuará com o movimento de redução neste mês e ainda
deixou a porta aberta para continuar o movimento no início de
2018.
Os especialistas consultados na pesquisa Focus do BC veem a
Selic a 7 por cento no final deste ano, com a inflação a 3,09
por cento. Já o Top 5, grupo que mais acerta as previsões, vê a
taxa básica de juros a 6,5 por cento em fevereiro.

Veja detalhes da inflação medida pelo IPCA-15 na variação
mensal (%):
Grupo Outubro Novembro
Alimentação e Bebidas -0,15 -0,25
Habitação +0,66 +1,33
Artigos de Residência -0,13 -0,35
Vestuário +0,48 +0,32
Transportes +0,60 +0,27
Saúde e Cuidados Pessoais +0,54 +0,51
Despesas Pessoais +0,50 +0,43
Educação +0,01 +0,01
Comunicação +0,48 +0,28
Índice Geral +0,34 +0,32

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