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(Texto atualizado com mais informações)
Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 3 Mai (Reuters) – A indústria do
Brasil encerrou o primeiro trimestre estagnada depois de queda
inesperada na produção em março, pressionada pelo setor de bens
intermediários, em mais um sinal de que a economia vem mostrando
desempenho aquém do esperado.
A produção industrial caiu 0,1 por cento em março em relação
a fevereiro, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), frustrando com força a
expectativa em pesquisa da Reuters com analistas de alta de 0,6
por cento.
Com isso, o setor terminou o primeiro trimestre estagnado em
comparação com os três meses anteriores, mostrando forte
desaquecimento depois de ter crescido 1,7 por cento no quarto
trimestre de 2017 sobre o período anterior.
"No primeiro trimestre podemos dizer que estamos longe de
uma trajetória de maior consistência para a produção industrial.
Temos ainda um mercado de trabalho longe de absorver os
desocupados e isso ajuda a atrapalhar o consumo", explicou o
gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.
Na comparação com março do ano passado, houve avanço de 1,3
por cento na produção industrial, também abaixo da expectativa
de 3,30 por cento.
O desempenho de março foi influenciado majoritariamente por
bens intermediários, que respondem por 60 por cento da indústria
e estão ligados à fabricação de matérias-primas. A fabricação
desses produtos, como celulose e químicos, caiu 0,7 por cento,
terceiro mês seguido de perdas.
Esse resultado foi suficiente para ofuscar os ganhos de 2,1
por cento entre Bens de Capital e de 0,2 por cento dos Bens de
Consumo.
Entre os ramos pesquisados, 14 dos 26 apresentaram recuo,
com destaque para bebidas (-3,6 por cento), produtos
farmoquímicos e farmacêuticos (-4,2 por cento) e máquinas,
aparelhos e materiais elétricos (-4,2 por cento).
O ritmo da indústria neste ano vem se mostrando lento mesmo
diante da inflação e juros baixos, uma vez que o desemprego
ainda elevado contém o consumo e impede melhora econômica mais
robusta num ano de eleição presidencial envolta por
indefinições.
"A indústria está também numa recuperação lenta e gradual,
assim como a economia. O ambiente no país ainda é cercado de
incerteza, seja no campo político, seja no campo econômico, e
isso acaba trazendo instabilidade para a produção industrial",
completou Macedo.
Indicadores de abril já mostraram que esse cenário econômico
não deve ter mudado, ao mostrarem deterioração generalizada da
confiança no Brasil, acendendo sinal de alerta sobre a atividade
no início do segundo trimestre.
Veja abaixo os resultados da produção industrial em
março(%):
Categorias de Uso Mensal Anual Acumulado em
12 meses
.Bens de Capital +2,1 +8,3 +7,4
.Bens Intermediários -0,7 -0,2 +2,0
.Bens de Consumo +0,2 +2,0 +3,5
..Duráveis +1,0 +15,8 +14,6
..Semiduráveis e Não Duráveis +0,2 -1,7 +0,9
.Indústria Geral -0,1 +1,3 +2,9

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644-7729; Reuters
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