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(Texto atualizado com mais informações)
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 10 Jan (Reuters) – A inflação já caminha em
direção à meta oficial em 2018, afirmou nesta quarta-feira o
presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, acrescentando que a
condução da política monetária continuará dependendo de diversos
fatores, entre eles projeções e expectativas de preços.
"O BC seguiu os bons princípios no gerenciamento da política
monetária e não reagiu ao impacto primário desse choque de
alimentos, permitindo a queda da inflação para abaixo da meta",
afirmou Ilan em carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles, na qual justificou que o IPCA abaixo do alvo oficial
em 2017 ocorreu por conta da deflação nos preços de alimentos.
O IPCA fechou 2017 em 2,95 por cento, abaixo do piso da meta
de 4,5 por cento, com margem de tolerância de 1,5 ponto para
mais ou para menos, algo inédito desde que o regime de metas de
inflação foi definido, em 1999.
A meta de inflação é exatamente a mesma para este ano. Em
seu último relatório trimestral de inflação, o BC projetou alta
de 4,2 por cento para 2018. Economistas participantes da
pesquisa Focus, por sua vez, veem o índice em 3,95 por cento
neste ano.
Olhando para frente, Ilan ressaltou que o BC "tem calibrado
a taxa de juros, e continuará a fazê-lo, com vistas ao
cumprimento das metas".
O baixo patamar do IPCA pavimenta o caminho para o BC seguir
cortando os juros básicos depois de os ter levado à mínima
histórica de 7 por cento no final do ano passado. A aposta
majoritária do mercado é de redução de 0,25 ponto em fevereiro,
primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na carta, Ilan apontou que houve "comportamento excepcional"
dos preços dos alimentos em 2017, decorrente da oferta recorde
de produtos agrícolas, movimento fora de seu alcance.
"Não cabe inflacionar os preços da economia sobre os quais a
política monetária tem mais controle para compensar choques nos
preços de alimentos", disse ele. "A política monetária deve
combater o impacto dos choques nos outros preços da economia (os
chamados efeitos secundários) de modo a buscar a convergência da
inflação para a meta", acrescentou.
Nos cálculos do BC, os choques de oferta contribuíram com
1,3 ponto percentual para o desvio da inflação em relação à meta
em 2017, ou 83,9 por cento do total.
Ilan também afirmou que a ação e a comunicação da política
monetária foram fundamentais para reancorar as expectativas de
inflação.
A divulgação da carta vem a despeito de o BC adotar a
metodologia da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
para eventual arredondamento da segunda casa após o IPCA. Pela
regra, o IPCA teria terminado 2017 exatamente no piso da meta,
de 3 por cento, já que números de 0 a 4 são arredondados para
baixo e de 5 a 9, para cima.
Embora a meta para 2018 seja a mesma de 2017, para 2019 o
centro do alvo será de 4,25 por cento, passando portanto a ter
duas casas decimais. A margem de tolerância segue de 1,5 ponto
tanto para este ano como para o próximo.
A última vez que a inflação ficou fora da meta, mas para
cima, foi em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma
Rousseff. O IPCA encerrou aquele ano com alta de 10,67 por
cento, com Alexandre Tombini à frente do BC.

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 5561-3426-7021; Reuters
Messaging: [email protected]))

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