Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

(Texto reescrito com mais informações, contexto e declarações
de analista)
Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) – A suspensão temporária de
importações de carnes bovina e suína do Brasil pela Rússia tende
a ser revertida em breve e deve ter impactos limitados para a
indústria nacional e a imagem do produto brasileiro no exterior,
disseram nesta terça-feira uma associação de exportadores e um
analista de mercado.
A agência de segurança alimentar da Rússia, importante
importador do produto nacional, informou na segunda-feira que o
país restringirá temporariamente as compras das proteínas
brasileiras, a partir de 1º de dezembro, alegando a presença de
ractopamina em alguns carregamentos –o aditivo é proibido na
nação euroasiática.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que
representa a avicultura e a suinocultura do Brasil, disse ter
recebido com preocupação a decisão russa, mas aposta no trabalho
do governo brasileiro para "o pleno e rápido esclarecimento,
retomando em breve os embarques".
"As agroindústrias associadas à ABPA respeitam a legislação
sanitária da Rússia… O setor está seguro sobre as
características de seu produto e garante que a produção de carne
suína embarcada não utiliza ractopamina", afirmou a ABPA em
nota.
A Rússia respondeu por cerca de 40 por cento das vendas
brasileiras de carne suína no acumulado do ano até setembro,
segundo dados da ABPA, enquanto os russos representaram cerca de
11 por cento das exportações de carne bovina do país até
outubro, de acordo com outra associação, a Abiec.
O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e um
dos principais no segmento de carne suína.
A produtora e comercializadora de carne Minerva confirmou
nesta terça-feira que as vendas da proteína bovina do Brasil
para a Rússia serão temporariamente suspensas, e disse que a
empresa exportará para a Rússia por unidades da companhia
situadas em outros países.
As ações da Minerva operavam em leve alta no
início da tarde, após passarem a manhã em baixa, enquanto as da
Marfrig subiam mais de 2 por cento, as da BRF tinham alta de
mais de 1 por cento, e as da JBS avançavam 1,8 por cento.

"EFEITO MERCADOLÓGICO"
Na mesma linha da associação de exportadores, o analista de
mercado Aedson Pereira, da Informa Economics FNP, indicou que o
anúncio russo deve ter efeito limitado sobre os embarques
brasileiros, uma vez que as compras russas nesta época do ano já
são sazonalmente menores dado o congelamento de alguns portos
por causa do frio intenso.
"O que coincide com esse bloqueio temporário é que o Brasil
exporta pouco para lá (nesta época), porque frio congela a
estrutura portuária", disse ele.
"É provável que isso não seja prorrogado, acredito que o
Ministério da Agricultura e autoridades do governo devam agir
com celeridade para diagnosticar o cenário e fazer um acordo
para que isso não se prorrogue", afirmou, lembrando que a Rússia
ainda é dependente das carnes brasileiras.
Ele comentou ainda que o embargo temporário se segue a um
aumento da alíquota de importação da carne brasileira por aquele
país, numa tentativa de proteger a indústria local.
"Nos bastidores, vê-se uma ação para socorrer a cadeia
produtora de lá… A carne brasileira estava chegando ao mercado
russo muito competitiva. Estávamos observando nossa carne
ganhando mais mercado. Então existe aí uma decisão de efeito
mercadológico para proteger a indústria nacional (russa)",
avaliou o analista.

MetaTrader 300×250

IMAGEM
Para Pereira, o caso "não é danoso" à imagem da proteína
brasileira no exterior, uma vez que a ractopamina, utilizada
como um ingrediente à ração animal, é autorizada em outros
países.
Procurada pela Reuters, a Associação Brasileira das
Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que representa o setor
de carne bovina, disse que não se pronunciará por ora.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e o
Ministério da Agricultura não responderam imediatamente aos
pedidos de comentários.

(Por José Roberto Gomes; Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia