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(Texto atualizado com mais detalhes)
Por Stephen Addison
LONDRES, 14 Mar (Reuters) – O físico britânico Stephen
Hawking, que buscou explicar algumas das mais complicadas
questões da vida trabalhando sob a sombra de uma provável morte
prematura, morreu aos 76 anos.
Hawking morreu em paz em sua casa na cidade universitária de
Cambridge, nas primeiras horas desta quarta-feira. "Estamos
profundamente tristes pelo falecimento hoje de nosso amado pai",
disseram seus filhos Lucy, Robert e Tim em comunicado.
A mente extraordinária de Hawking testou os limites do
entendimento humano tanto sobre a vastidão do espaço como sobre
o complicado mundo submolecular da teoria quântica, que ele
dizia que poderia prever o que acontece no início e no fim do
tempo.
Seu trabalho cobriu desde as origens do universo até a
perspectiva tentadora das viagens no tempo e os mistérios dos
buracos negros.
"Ele foi um grande cientista e um homem extraordinário,
cujos trabalho e legado viverão por muitos anos", disse sua
família. "Sua coragem e persistência, assim como seu brilho e
humor, inspiraram pessoas do mundo todo".
O poder de seu intelecto contrastava cruelmente com a
fraqueza de seu corpo, devastado pela doença do neurônio motor
que ele desenvolveu a partir dos 21 anos de idade.
Hawking passou a maior parte da vida preso a uma cadeira de
rodas. Devido à deterioração de sua condição, ele teve que
recorrer a um sintetizador de voz para falar e ao movimento das
sobrancelhas para se comunicar.
A doença o instigou a trabalhar mais duro, mas também
contribuiu para o fracasso de seus dois casamentos, como relatou
no livro de memórias "Minha Breve História", de 2013.
No livro ele conta como reagiu ao diagnóstico: "Achei que
era muito injusto – por que aquilo devia acontecer comigo?",
escreveu.
"À época achei que minha vida estava acabada e que jamais
desenvolveria o potencial que sentia ter. Mas agora, 50 anos
depois, me sinto discretamente satisfeito com a minha vida".
Hawking alcançou fama internacional após a publicação de
"Uma Breve História do Tempo", de 1988, um dos livros mais
complexos a conquistar o grande público, tendo permanecido na
lista de mais vendidos do jornal Sunday Times durante 237
semanas.
Ele disse tê-lo escrito para transmitir sua própria
empolgação com descobertas então recentes sobre o universo.
"Meu objetivo original era escrever um livro que vendesse em
bancas de aeroporto", disse ele aos repórteres na ocasião. "Para
ter certeza de que era compreensível, experimentei o livro com
minhas enfermeiras. Acho que elas entenderam a maior parte".
Ele se sentia particularmente orgulhoso por só ter usado uma
equação matemática – a famosa E=MC2 da Teoria da Relatividade.
"Perdemos uma mente colossal e um espírito maravilhoso",
disse Tim Berners-Lee, o inventor da rede mundial de
computadores. "Descanse em paz, Stephen Hawking".
O reconhecimento popular de Hawking foi tão grande que ele
participou da série "Star Trek: Next Generation" e sua versão de
desenho animado apareceu em "Os Simpsons".
"A Teoria de Tudo", filme de 2014 que tem o ator Eddie
Redmayne no papel do cientista, relata o surgimento de sua
doença e os primeiros passos do estudante brilhante às voltas
com buracos negros e o conceito de tempo.

VIDA PESSOAL
Sua saúde, e acidentes com sua cadeira de rodas, incluindo
um no qual quebrou o quadril depois de se chocar com uma parede
em dezembro de 2001 –"a parede venceu", observou– fizeram com
que ele rendesse manchetes por outras razões além de seu
trabalho.
Em 2004 ele foi internado em um hospital de Cambridge com
pneumonia e mais tarde foi transferido a um hospital
especializado em coração e pulmão. Ele foi casado e se divorciou
duas vezes.
Ele se casou com a universitária Jane Wilde em julho de
1965, e o casal teve três filhos, Robert, Lucy e Timothy. Mas em
seu livro de memórias Hawking contou como sua esposa se deprimia
cada vez mais à medida que seu estado de saúde piorava.
"Ela temia que eu morresse logo e queria alguém que desse
apoio a ela e às crianças e se casasse com ela depois que eu me
fosse", escreveu.
Jane se envolveu com um músico local e lhe deu um quarto no
apartamento da família, contou Hawking.
"Eu teria protestado, mas eu também imaginava uma morte
precoce…", disse. "Eu me sentia cada vez mais infeliz com o
estreitamento do relacionamento (entre eles). No final eu não
conseguia mais suportar a situação, e em 1990 me mudei para um
apartamento com uma de minhas enfermeiras, Elaine Mason".
Ele se divorciou de Jane no mesmo ano e se casou em 1995 com
Elaine, cujo ex-marido David projetou o sintetizador de voz
eletrônico que lhe permitia se comunicar.
"Meu casamento com Elaine foi apaixonado e tempestuoso",
escreveu em suas memórias. "Tínhamos nossos altos e baixos, mas
o fato de Elaine ser enfermeira salvou minha vida em várias
ocasiões".
Mas isso também lhe impôs um fardo emocional, observou, e o
casal se divorciou em 2007.

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VIDA LONGA E PLENA
Stephen William Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942 da
união do doutor Frank Hawking, um biólogo pesquisador na área de
medicina tropical, e de sua mulher Isobel, e cresceu em Londres
e seus arredores.
Ele estudou física na Universidade de Oxford e estava em seu
primeiro ano de pesquisas em Cambridge quando foi diagnosticado
com a doença do neurônio motor.
"Perceber que eu tinha uma doença incurável que
provavelmente me mataria em alguns anos foi um pouco chocante",
disse ele em suas memórias.
Mas depois de ver um menino morrer de leucemia na ala de um
hospital ele observou que algumas pessoas estavam muito piores
do que ele, e que pelo menos sua condição não o fazia sentir-se
doente.
Na verdade havia até vantagens em estar confinado a uma
cadeira de rodas e ter que falar por um sintetizador de voz.
"Não tive que dar palestras ou ensinar estudantes
universitários e não tive que participar de comitês tediosos que
tomam tempo. Por isso consegui me devotar completamente à
pesquisa", escreveu em "Minha Breve História".
"Possivelmente me tornei o cientista mais conhecido do
mundo. Isso é em parte porque cientistas, tirando Einstein, não
são estrelas do rock amplamente conhecidas e em parte porque me
encaixei no estereótipo do gênio debilitado".
(Reportagem adicional de Guy Faulconbridge)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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