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(Texto atualizado com mais informações)
Por Lisandra Paraguassu
LIMA, 12 Abr (Reuters) – O governo norte-americano propôs
usar cotas de exportação para isentar o Brasil da sobretaxa para
aço e alumínio, disseram à Reuters fontes do governo brasileiro
que participaram de reunião nesta quinta-feira, em Lima, com o
secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross.
Segundo as fontes, Ross defendeu que a medida facilitaria o
avanço das negociações e está dando resultado com a Coreia do
Sul, país com quem o diálogo está mais avançado.
Segundo as fontes, a proposta norte-americana, ainda em uma
versão preliminar, prevê cotas baseadas na exportação atual dos
países em negociação, o que impediria o avanço sobre a parte das
exportações aos EUA hoje preenchido pelo aço chinês, que
representa cerca de 20 por cento das importações
norte-americanas.
A ideia foi apresentada por Ross ao ministro das Relações
Exteriores, Aloysio Nunes, à margem da Cúpula das Américas.
Segundo uma das fontes que participou do encontro, foi uma
reunião política para avançar os pontos de vista do Brasil, mas
não entrou detalhes técnicos.
Os norte-americanos têm defendido a ideia de cotas associada
à restrição do aumento de produção. Ross afirmou aos diplomatas
brasileiros que o fórum que discute o excesso de produção de aço
não tem atendido as necessidades dos EUA, mas uma negociação
país a país nesses termos funcionaria.
Os EUA adotaram no mês passado tarifas de 25 por cento sobre
importações de aço e de 10 por cento do alumínio, mas isentaram
temporariamente o Brasil e outros países, enquanto negocia uma
isenção permanente.
O governo brasileiro abriu negociações em março e já teve
uma reunião inicial com o representante de Comércio dos EUA,
Robert Lighthizer. Nesse período, o Brasil obteve a suspensão da
cobrança da tarifa, válida até o dia 30 deste mês.
De acordo com as fontes, o secretário de comércio reforçou
que as negociações continuarão em dois trilhos, o de governo a
governo e também o de empresas com o governo dos EUA, para
isenção individualmente da taxa.
Ross, de acordo com uma das fontes, insistiu que o governo
brasileiro incentive as empresas brasileiras que exportam
diretamente a empresas norte-americanas a iniciarem os
procedimentos para pedir a isenção tarifária. Segundo ele, mesmo
sendo um processo demorado, auxilia na negociação e as empresas
que forem taxadas podem ser ressarcidas posteriormente.
O governo brasileiro reforçou a Ross que não há risco de
triangulação de aço chinês pelo Brasil, e retomou pedidos para
que o país seja isentado permanentemente das tarifas sobre o aço
e o alumínio.
"Mostramos novamente todos os nossos pontos. No aço, o
Brasil é parte da cadeia norte-americana e no alumínio, nós
importamos mais que exportamos", disse uma das fontes.
Segundo essa fonte, houve duas conversas até agora sobre essa
questão e elas têm se concentrado na questão tarifária do aço e
alumínio, não incluindo outros temas.

(Edição de Aluísio Alves)

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