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(Texto atualizado com mais informações, aspas e contexto)
Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 12 Abr (Reuters) – A Eletrobras deverá discutir
com o governo antes de sua privatização uma renovação do
contrato de sua maior hidrelétrica, a usina de Tucuruí, que
vence em 2024, o que pode elevar o valor da companhia e a
arrecadação do governo com o processo, indicou a jornalistas
nesta quinta-feira o presidente da estatal, Wilson Ferreira,
após participar de encontro com acionistas em São Paulo.
"Teria que ter uma renovação antecipada… é algo que tem
que ser avaliado", afirmou o executivo, que ressaltou que o
negócio seria importante principalmente para tornar
financeiramente viável a subsidiária da companhia na região
Norte, conhecida como Eletronorte.
Ele explicou que, ao ser desestatizada, a Eletrobras deverá
ficar com uma capacidade de geração de cerca de 38 gigawatts,
contra quase 50 gigawatts atualmente, uma vez que as usinas
nucleares de Angra e a hidrelétrica binacional de Itaipu serão
cindidas da companhia e permanecerão estatais.
"O caso de Tucuruí é particularmente importante para a
Eletronorte. Para a Eletrobras potencialmente privada, é uma
usina de 8 gigawatts em (um portfólio total) de 38 GW, mas para
a Eletronorte é 8 GW em 9GW (operados pela subsidiária). Se você
não tem uma solução disso para aquela companhia é algo que é
ruim", afirmou.
Os planos do governo para a privatização da Eletrobras
preveem que a União terá uma golden share na empresa para ter
poder de veto em determinados assuntos. Entre os temas regidos
por essas ações especiais deverá estar uma obrigação de que os
novos controladores da Eletrobras não fechem as subsidiárias da
companhia atualmente existentes, como Eletronorte, Furnas, Chesf
e Eletrosul.
Ferreira ressaltou, no entanto, que conversas oficiais sobre
Tucuruí com o governo ainda não estão em curso. "Isso deve
começar a partir de agora".

CRONOGRAMA
O presidente da Eletrobras também disse que o leilão de
privatização das distribuidoras de energia da estatal, antes
previsto para 21 de maio, deve acontecer até dia 28 do próximo
mês.
Também foi adiada, para 29 de junho, a data prevista para um
leilão em que a estatal oferecerá a investidores fatias
minoritárias em usinas eólicas e linhas de transmissão de
energia.
A licitação, em que a empresa pretende vender ativos com um
valor contábil de 2,5 bilhões de reais, estava antes agendada
para 7 de junho. Os empreendimentos a serem negociados somam 967
megawatts em capacidade de geração e cerca de mil quilômetros em
linhas de energia e fazem parte de um plano de desinvestimentos
da companhia para reduzir dívidas.
Ferreira também afirmou que um decreto que permitirá ao
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
contratar estudos necessários à privatização ainda deverá ser
publicado, apesar de o texto não ter sido divulgado nesta
quinta-feira, como previsto na véspera pelo ministro de Minas e
Energia, Moreira Franco.
Com isso, o BNDES deve contratar "ainda nesta quinzena" os
estudos, que devem estar prontos entre agosto e o início de
setembro, disse o executivo.
A efetivação da desestatização da empresa, por meio de uma
oferta de novas ações, ocorreria assim entre novembro deste ano
e janeiro de 2019.

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(Por Luciano Costa; edição de Marta Nogueira)
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