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(Texto reescrito e atualizado com mais informações)
Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 10 Out (Reuters) – Usinas do centro-sul do Brasil
confirmaram a inversão de tendência de produção na safra de cana
2017/18 e direcionaram na segunda quinzena de setembro uma maior
parcela de matéria-prima para a fabricação de etanol, segundo a
União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
Em seu relatório de acompanhamento de safra, divulgado nesta
terça-feira, a associação informou que 53,5 por cento do total
da cana processada na quinzena foi usada para a produção de
álcool, ante 52 por cento na primeira metade do mês e 50 por
cento em igual período de 2016.
O etanol começou a mostrar força no mix de produção em
agosto, após o governo elevar as alíquotas de PIS/Cofins
incidentes sobre a gasolina, dando maior competitividade ao
biocombustível, e em meio à queda nos preços internacionais do
açúcar.
Antes disso, usinas vinham priorizando o adoçante para o
cumprimento de contratos firmados anteriormente, quando as
cotações da commodity estavam mais altas.
A maior atratividade do etanol é evidenciada pelas vendas de
hidratado, usado diretamente nos tanques dos veículos, que
alcançaram 1,38 bilhão de litros em setembro, o maior resultado
mensal desde abril.
Na segunda quinzena, foram produzidos 2,02 bilhões de litros
de etanol, alta de 11,55 por cento na comparação anual, sendo
892 milhões de litros de anidro, misturado em 27 por cento à
gasolina, e 1,13 bilhão de litros de hidratado.
Em contrapartida, a produção de açúcar recuou quase 4 por
cento nos últimos 15 dias do mês passado, para 2,85 milhões de
toneladas.
No acumulado da safra, iniciada em abril, a fabricação do
adoçante totaliza 29,235 milhões de toneladas (alta de 4,85 por
cento na comparação anual) e a de álcool, 19,42 milhões de
litros (queda de 2,75 por cento).

MOAGEM
Segundo a Unica, o processamento de cana na segunda quinzena
de setembro no centro-sul recuou 5,22 por cento na comparação
anual, para 40,3 milhões de toneladas, totalizando 467 milhões
de toneladas no acumulado da safra 2017/18 (queda de 2 por
cento).
Conforme a Unica, a seca continua prejudicando o rendimento
das lavouras. Citando dados do Centro de Tecnologia Canavieira
(CTC), a entidade destacou que de abril a setembro a
produtividade agrícola alcançou 79,6 toneladas de cana por
hectare, ante 80,9 toneladas em igual período da safra passada.
Quanto ao nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por
tonelada de cana moída, este atingiu 159,33 quilos na segunda
quinzena de setembro, o maior valor para essa quinzena desde
2010.
"Apesar do clima seco seguir favorecendo a concentração de
sacarose na planta, esses números para o ATR produto foram
influenciados pelas paradas das unidades produtoras, verificadas
nos dias 29 e 30 de setembro", destacou a Unica.
No fim do mês passado, chuvas volumosas atrapalharam os
trabalhos de colheita, mas, ao mesmo tempo, melhoraram os
prognósticos para a safra 2018/19, que será colhida no que vem.

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(Edição de Luciano Costa)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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