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(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO, 17 Abr (Reuters) – O maior motivo de preocupação
do sistema financeiro brasileiro passou a ser o cenário político
e o risco fiscal, no lugar de recessão e inadimplência, mostrou
o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central
publicado nesta terça-feira.
No documento, a autoridade monetária informou ainda que o
risco de liquidez continua sendo baixo e que os testes de
estresse de capital mostraram "aumento da resiliência do sistema
bancário" em todos os cenários simulados.
"A preocupação com riscos políticos continuou sua trajetória
ascendente, passando a constituir-se no risco mais citado pelas
instituições financeiras", escreveu o BC no REF, acrescentando
que esse cenário vem do processo eleitoral de 2018.
Segundo o BC, 64 por cento das instituições pesquisadas
citaram a cena política como preocupação, enquanto 44 por cento
delas citaram o mesmo problema em maio de 2017. Por sua vez, os
riscos fiscais foram citados agora por 56 por cento dos bancos
pesquisados, "tendo em vista os desafios ainda existentes nessa
área".
Segundo o BC, a frequência de citação de fatores
relacionados com "inadimplência e recessão" continuou caindo,
chegando a 56 por cento em fevereiro deste ano contra 72 por
cento em agosto de 2017. "Essa melhora na percepção é
consistente com o processo de recuperação econômica iniciado em
2017… após dois anos de recessão", trouxe o BC.
Nos últimos seis meses, houve deterioração na percepção de
risco vindo do cenário internacional, citada por 51 por cento
das instituições agora, frente a 28 por cento em agosto de 2017.
Segundo o BC, a principal preocupação era a "retirada dos
estímulos monetários nos Estados Unidos e em outras economias
avançadas e suas repercussões no sobrefluxo de capitais e no
custo de captação de países emergentes".
Os canais de transmissão, mostrou o REF, mais relevantes
apontados foram aumento da aversão ao risco e de incerteza, fuga
de capitais, depreciação cambial e "downgrade" de crédito.
O documento do BC mostrou ainda que o risco de liquidez
continua apresentando pouca preocupação para o sistema bancário
e que o mercado mantinha a confiança na capacidade de o sistema
financeiro absorver choques.
Além disso, o nível de provisionamento da carteira de
crédito permanece adequado ao seu perfil de risco e, segundo o
BC, o sistema bancário dispunha de capital robusto, em nível e
qualidade, para suportar os riscos assumidos e a retomada da
concessão de crédito.
"A perspectiva é de manutenção do baixo risco para o
primeiro semestre de 2018", trouxe o documento.

(Por Patrícia Duarte; Edição de Camila Moreira)
(([email protected]; +55 11 5644-7732; Reuters
Messaging: [email protected]))

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