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(Texto atualizado com mais informações e desempenho das ações)
Por Gabriela Mello
SÃO PAULO, 23 Nov (Reuters) – A Braskem vê uma
tendência de consolidação no mercado petroquímico e considera
oportunidades de aquisição, mesmo fora do foco estratégico de
Américas e Europa, afirmou nesta quinta-feira o presidente da
companhia, Fernando Musa.
Segundo o executivo, os resultados têm sido muito positivos
e a Braskem tem espaço para elevar a alavancagem acima do nível
desejado de 2,5 vezes "momentaneamente" para materializar
aquisições.
"Já fizemos integrações grandes, compramos empresas menores,
temos know-how e vamos seguir buscando oportunidades", disse
Musa em encontro com investidores, em São Paulo.
O executivo ressaltou, contudo, que transações do tipo são
complexas e que não há no momento conversas concretas em
andamento. "O desafio do crescimento não orgânico é combinar com
o outro lado, encontrar alguém disposto a vender ao preço que
queremos, quando queremos e da forma que queremos", comentou.
Sobre o suposto interesse da Lyondellbasell em
adquirir participação na Braskem, Musa disse que a petroquímica
não foi abordada diretamente pelo grupo holandês. "Eles têm um
portfólio de produtos muito parecido com o nosso, são uma
empresa muito maior que a Braskem, eu entendo o porquê do
rumor", disse.
Ele afirmou ainda que a decisão de venda de participação na
Braskem depende unicamente dos acionistas – a Petrobras
, que detém 47 por cento do capital votante da
Braskem, e a Odebrecht ODBES.UL , com 50,1 por cento.
A Petrobras já manifestou publicamente seu interesse em se
desfazer da fatia na Braskem, enquanto a Odebrecht anunciou no
fim de outubro que, embora avalie alternativas, pretende manter
a petroquímica em seu portfólio de investimentos. urn:newsml:reuters.com:*:nL2N1N51XO

Às 16:31, os papéis da Braskem cediam 0,46 por
cento, cotados a 47,28 reais. No ano até o momento, os papéis
acumulam alta de cerca de 38 por cento.
Perguntado sobre a reestruturação societária e a possível
conversão das ações de preferenciais em ordinárias, Musa
comentou que o "ano ainda não acabou", mas evitou entrar em
detalhes sobre as tratativas entre os acionistas.
De acordo com ele, a Braskem aposta na diversificação de
matérias-primas e da atuação geográfica ampliar a rentabilidade
das operações nos próximos anos. Atualmente, a empresa possui 29
fábricas no Brasil, quatro no México, seis nos Estados Unidos e
duas na Europa.
"Apesar da recessão no Brasil, seguimos melhorando nossa
rentabilidade de modo significativo graças à pujança das
atividades fora do Brasil", afirmou o executivo, destacando
ainda os esforços para gestão de custos.
Musa afirmou que este foi um ano bom para Braskem em termos
de volumes em todas as regiões e a expectativa também é positiva
para 2018, com uma demanda consistente, em especial do setor
automotivo, e a possível depreciação do real devendo favorecer
os resultados.
A petroquímica espera uma queda apenas ligeira no lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do
Brasil no ano que vem, mas projeta estabilidade dessa linha do
balanço nos Estados Unidos, Europa e México, disse o presidente.

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MÉXICO
A passagem do furacão Harvey pelos EUA ajudou a Braskem a
ganhar espaço no mercado mexicano, expandindo sua participação e
melhorando as margens, segundo Musa.
Ele estima que o complexo petroquímico naquele país atingirá
90 por cento da capacidade até o fim deste ano, devendo exportar
não mais que 15 por cento da produção no curto prazo. "Nós vamos
priorizar o mercado doméstico e exportar o excedente", afirmou.
Quanto às investigações no México de atos ilícitos da
Odebrecht, Musa afirmou que a Braskem está dialogando com as
autoridades locais, embora não tenha qualquer envolvimento com o
caso.

EUA
A reforma tributária prometida pelo presidente Donald Trump
nos EUA deve beneficiar a Braskem, gerando maior disponibilidade
de caixa para empresa reinvestir e elevar dividendos, revelaram
os executivos.
"A redução na alíquota de imposto de renda é naturalmente
positiva e pode melhorar o retorno de futuros investimentos, mas
até agora não temos intenção de alterar os planos", disse Musa,
completando que as decisões de investimentos por enquanto se
pautam nas condições de mercado.

INVESTIMENTOS
A Braskem ainda não traçou a meta de investimentos para
2018, mas está confiante de que cumprirá o objetivo de 2,23
bilhões de reais projetado para este ano, afirmou o diretor
financeiro da companhia, Pedro Freitas.
Até o fim de setembro, a empresa havia desembolsado 1,53
bilhão de reais do total previsto para o ano. "É normal faltar
mais de 25 por cento dos investimentos, que costumam ser mais
fortes no quarto trimestre", explicou.
Conforme Freitas, os investimentos deste ano contemplam o
programa de flexibilização de matérias-primas em Camaçari (BA) e
a nova fábrica de polipropileno nos EUA, além de desembolsos com
paradas de manutenção e atendimento a normas regulatórias.
A Braskem gastou 100 milhões de dólares com o projeto no
complexo da Bahia, onde produziu a primeira tonelada de eteno a
partir de etano produzido nos EUA. "A estrutura implementada já
nos permite produzir 15 por cento do eteno a partir de etano dos
EUA", disse Musa.
Ele acrescentou que a empresa chegou a cogitar expandir o
programa de flexibilização de matérias-primas para outras
centrais petroquímicas. "A questão é a logística, a Bahia fica
mais perto dos Estados Unidos e quanto mais ao sul maior seria o
custo", explicou o presidente.

(Edição de Raquel Stenzel)
(([email protected]; +55 11 56447719; Reuters
Messaging: [email protected]))


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