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(Texto atualizado com mais informações)
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA, 16 Mai (Reuters) – O Banco Central surpreendeu ao
manter nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 6,50 por
cento ao ano, justificando que o cenário externo tornou-se mais
desafiador e apresentou volatilidade, apesar de reconhecer que a
atividade econômica do país perdeu força e o comportamento da
inflação continua favorável.
"A evolução dos riscos, em grande parte associados à
normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas,
produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais",
afirmou o BC em comunicado, em meio ao movimento que levou à
forte valorização do dólar nas últimas semanas.
Quarenta de 42 economistas consultados pela Reuters
esperavam corte de 0,25 ponto na Selic, ao passo que apenas dois
previam manutenção do patamar de 6,5 por cento ao ano.

Com a decisão, o BC antecipou o fim do ciclo de afrouxamento
monetário que estava sendo esperado para junho. No total, foram
12 tesouradas na Selic, somando 7,75 pontos percentuais, em meio
à fraca atividade econômica e inflação baixa.
A decisão teve como pano de fundo a recente disparada do
dólar frente ao real, causada pelos temores dos mercados com as
eleições presidenciais deste ano e de que os juros nos Estados
Unidos podem subir mais do que o esperado.
O dólar , desde o encontro do Copom de março até agora,
já acumulou valorização de mais de 12 por cento sobre o real,
movimento que tende a gerar pressão inflacionária à frente.
"Choques externos devem ser combatidos apenas no impacto
secundário que poderão ter na inflação prospectiva", trouxe o
Copom. "Esses choques, entretanto, podem alterar o balanço de
riscos ao reduzir as chances de a inflação ficar abaixo da meta
no horizonte relevante, por meio de seus possíveis efeitos
secundários", complementou.
O BC também informou que, para as próximas reuniões, via
como adequada a manutenção da taxa de juros.
"O peso do chamado choque externo foi maior do que a piora
da atividade e da inflação, tanto corrente como nas
expectativas. O ponto foi o choque cambial e não tenho a menor
dúvida que eles não quiseram se arriscar", afirmou o
economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves,
"A Selic fica parada neste patamar e dependerá do efeitos do
câmbio sobre a inflação, e isso está em aberto diante da
atividade fraca. Continuo achando que a Selic só volta a subir
em 2019", acrescentou.
O BC também reduziu sua projeção de inflação a 3,6 por cento
em 2018, ante 3,8 por cento em seu último cálculo, pelo cenário
de mercado. Para 2019, a conta também caiu a 3,9 por cento,
contra 4,1 por cento antes. Este cenário levou em conta a Selic
fechando 2018 em 6,25 por cento e 2019 em 8 por cento, com o
dólar a 3,40 reais ao cabo dos dois anos.
Mas o BC também inovou e voltou a apresentar seus cálculos
no cenário de referência, que mostrou a inflação mais perto da
meta quando considerada a manutenção do atual cenário.
Com juros constantes a 6,50 por cento ao ano e taxa de
câmbio constante a 3,60 reais, as projeções do BC apontaram alta
do IPCA em torno de 4 por cento para 2018 e 2019.
O centro da meta de inflação é de 4,5 por cento este ano e
4,25 por cento no próximo, nos dois casos com margem de
tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 5561-3426-7021; Reuters
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