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(Texto atualizado com informações sobre as negociações)
Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 10 Nov (Reuters) – Está mais uma vez nas mãos da
União Europeia levar adiante a negociação com o Mercosul para um
acordo de livre comércio, depois que o bloco sul-americano
apresentou um pacote detalhado com números, quantidades e regras
comerciais consideradas o mínimo para começar uma negociação,
mas ainda sem resposta dos europeus.
Em uma declaração à imprensa depois de um encontro entre os
chanceleres do bloco, o presidente Michel Temer e
vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, o ministro
das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou que, se "houver
uma reação positiva" dos europeus, o acordo pode ser fechado até
o final deste ano, como a própria UE pretendia inicialmente.
"Apresentamos a UE um pacote com números, quantidades e
regras de qual é a nossa disposição para nos aproximarmos da
disposição deles. Se tiver uma reação positiva deles poderemos
acelerar as negociações até o final do ano", disse Aloysio.
De acordo com uma fonte que acompanha as negociações, depois
de duas tentativas, o Mercosul decidiu dar um passo adiante e
colocar na mesa uma proposta completa.
"Está lá o que oferecemos e o que queremos em troca. Houve
uma reação positiva, mas nenhuma resposta", disse a fonte. "Nós
dissemos que quando eles estiverem dispostos a conversar,
estamos prontos. Desde que tenhamos etanol e carne na mesa",
completou.
A última rodada de negociações, em outubro, não avançou e
praticamente havia enterrado a possibilidade de um acordo ser
fechado até o final do ano por causa das ofertas extremamente
baixas nos setores de carne e etanol.
Apesar dos parâmetros iniciais prevendo que as ofertas agora
teriam que ser superiores aos números apresentados em 2004, na
primeira fase das negociações, a oferta de importação de até 70
mil toneladas de carne e 600 mil toneladas de etanol ficou bem
abaixo dos números iniciais, que eram de 100 mil toneladas de
carne e 1 milhão de toneladas de etanol.
"A importância disso aqui é o empuxo político, para ver se
as coisas avançam", disse a fonte.
Na declaração aos Aloysio disse que os participantes da
rodada de negociações foram unânimes em afirmar que um
entendimento entre os dois blocos tem uma grande relevância
econômica no plano comercial e de investimentos, que vai além da
oferta de bens.
O representante da UE, Jyrki Katainen, vice-presidente da
Comissão Europeia para Emprego, Crescimento, Investimento e
Competitividade, ressaltou que o acordo é de máxima importância
para o bloco europeu, não apenas pelos benefícios comerciais mas
por sua dimensão política.
"As negociações são importantes porque afirmam nossa postura
contra o protecionismo. Um acordo irá enviar um sinal forte que
nos opomos à regra do mais forte", disse Katainen.
Depois de ver o acordo comercial com os Estados Unidos ser
enterrado pelo governo de Donald Trump, a UE se voltou para o
Mercosul e outras negociações menores para tentar dar um sinal
aos EUA de que não aceitarão um mundo mais protecionista.
No entanto, dentro do próprio bloco europeu, há divergências
duras para as negociações, com a França liderando um grupo que
quer adiar o acordo.

(Edição de Eduardo Simões)
(([email protected]; 55-11-56447702; Reuters
Messaging: [email protected]))

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